O crédito rural em queda foi um tema substancial no contexto do Plano Safra 2025/2026, com um montante total de R$ 224,6 bilhões desembolsados entre julho de 2025 e fevereiro de 2026. Este valor representa 55,3% do total projetado para o período e, comparado ao ciclo anterior, aponta uma diminuição de 13,7%. Apesar da retração no valor, observou-se um aumento no número de contratos, com 1,6 milhão de operações, marcando um crescimento de 2,3%.
Esses dados foram extraídos do Relatório de Acompanhamento do Crédito Rural do Departamento Técnico e Econômico da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo).
Retração em Diversas Categorias
A análise indica que a queda nos desembolsos afetou todas as categorias de crédito, incluindo Pronaf, Pronamp e outros produtores. A categoria que sofreu a maior redução foi a de demais produtores, com uma diminuição de 19,9%. O cenário econômico geral, com a taxa Selic em 15%, contribui para essas condições restritivas, elevando o custo do crédito.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, destaca a necessidade de um projeto sólido que assegure previsibilidade ao setor produtivo. “O Brasil precisa de recursos para investimento, crédito rural a taxas acessíveis e seguro rural que atenda às necessidades do produtor”, afirma.
Desempenho em São Paulo
No estado de São Paulo, os desembolsos totalizaram R$ 22,2 bilhões nos primeiros oito meses do Plano Safra, o que representa 9,9% do total nacional. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, houve uma diminuição de 8,1%. O número de contratos também apresentou um recuo mais significativo de 19,3%, resultando em 38.910 operações.
Analisando por seção dos produtores, apenas o Pronamp teve um crescimento interanual, com um aumento de 9,7%. O Pronaf e os demais produtores da agricultura empresarial, por sua vez, mostraram uma retração, com a maior queda ocorrendo entre os demais, com 12,1%.
Perspectivas Futuras
A situação atual do crédito rural coloca em evidência questões críticas, como a necessidade de um ambiente econômico mais favorável e políticas que incentivem a sustentabilidade do setor agrícola. O fortalecimento das linhas de crédito e a reformulação das estratégias de financiamento são passos essenciais para que o setor se recupere e se desenvolva de forma robusta.
