Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um banco de dados inédito para combater a desinformação antivacina. Este trabalho é uma iniciativa que visa suprir a necessidade de informações sistematizadas sobre a infodemia no Brasil, oferecendo uma ferramenta para promover conteúdos baseados em evidências na saúde pública.
O laboratório de inteligência artificial Recod.ai coletou quatro milhões de postagens e 1,4 milhão de arquivos multimídia do Telegram, abrangendo o período de janeiro de 2020 a junho de 2025. A análise do Recod.ai foca na pandemia de Covid-19 e nos anos seguintes, historiados por uma intensa circulação de desinformações. Eles já identificaram padrões de propagação dessas narrativas, revelando a complexidade das motivações por trás da desinformação.
Motivações por trás da desinformação antivacina
Leopoldo Lusquino Filho, colaborador do Recod.ai e docente da Unesp, enfatiza que o comportamento das postagens sobre vacinas se assemelha aos mecanismos de seleção natural. A equipe de pesquisa observou a existência de uma estrutura organizada na disseminação de informações, podendo dividir os canais em categorias que produzem ou apenas compartilham desinformação. Esse fenômeno é agravado por fatores externos, como períodos eleitorais, que criam um “efeito dominó” nas redes sociais.
Banco de dados e seu impacto
O banco de dados, com 5,5 terabytes de armazenamento, reúne conteúdos de 71.672 usuários em 119 grupos do Telegram, incluindo 407.723 mensagens específicas sobre antivacinas. Essa base estará disponível no Repositório de Dados da Unicamp para uso não comercial e foi desenvolvido com o apoio da Maritaca.ai, garantindo a anonimização dos dados dos usuários. Christiane Versuti, pós-doutoranda que acompanhou os grupos, destaca que a falta de letramento midiático contribui para um ambiente hostil à verificação da informação.
Planos futuros da pesquisa
Os pesquisadores também planejam disponibilizar bases de dados similares para outras redes sociais como Instagram, YouTube e X ainda este ano. Além disso, uma reunião com o Ministério da Saúde está prevista para oferecer essa ferramenta como suporte ao desenvolvimento de políticas públicas. Esse projeto recebeu investimentos da Fapesp, CNPq e do Ministério da Saúde, utilizando inteligência artificial e linguística computacional para combater a desinformação em saúde.

