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Petróleo fica abaixo de US$ 100 e gera novas oportunidades econômicas

Os preços do petróleo estão em queda nesta quarta-feira (25), refletindo a possibilidade de um avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar as hostilidades, apesar da continuidade dos ataques aéreos entre Israel e o Irã. Essa expectativa de um cessar-fogo está influenciando o comportamento do mercado, que já viu um aumento considerável nos preços na terça-feira.

Por volta das 11h40, o contrato futuro do petróleo Brent recuava 4%, cotado a US$ 96 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate), referência no mercado americano, caía 3,9%, sendo negociado a US$ 88 o barril. A alta expressiva dos índices de referência no dia anterior, com quase 5%, parece agora dar lugar a uma correção.

Impacto Geopolítico

Janiv Shah, analista da Rystad, afirmou que o plano dos EUA com 15 pontos ainda precisa ser melhor detalhado, mas a sensação é de que um acordo poderia ser alcançado em breve. “O estado elevado dos preços pode se tornar uma norma no mercado de petróleo”, alertou. A retórica permanece fortemente influenciada por questões geopolíticas, que estão afetando a oferta e demanda globais.

O Irã, no entanto, negou ter conversas diretas com os Estados Unidos, indicando que as negociações seriam internas, segundo a mídia estatal. Larry Fink, diretor da Blackrock, avisou que, caso o Irã continue a ser uma ameaça na região do Estreito de Ormuz, o mercado poderia enfrentar anos com preços do petróleo entre US$ 100 a US$ 150 por barril, prevendo uma recessão global nesse cenário.

Desafios no Transporte Marítimo

Os eventos no Oriente Médio vão continuar impactando os preços, conforme destacou Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova. A guerra tem perturbado as remessas de petróleo e gás natural liquefeito pelo estreito de Ormuz, que tipicamente transporta cerca de 20% do suprimento mundial. A Agência Internacional de Energia identificou esse momento como marcado por uma grande interrupção de abastecimento.

Atualmente, uma perda diária de aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo bruto implica em cerca de 500 milhões de barris a menos ao longo de 25 dias. Saul Kavonic, do MST Marquee, acredita que mesmo que os fluxos através do estreito sejam retomados, a produção pode não voltar ao normal rapidamente sem um cessar-fogo claro.

Alternativas Emergentes

O Irã comunicou ao Conselho de Segurança da ONU que embarcações não hostis podem transitar pelo Estreito de Ormuz ao coordenar com as autoridades iranianas. Nesse interim, as exportações de petróleo do porto de Yanbu, na Arábia Saudita, aumentaram para quase 4 milhões de barris por dia na semana passada, um salto significativo comparado ao período antes do início da guerra.

Adicionalmente, os portos bálticos russos, Primorsk e Ust-Luga, suspenderam o carregamento de petróleo bruto após ataques de drones, exacerbando a incerteza no mercado global. Esse evento sublinha o nível de volatilidade que tem marcado as operações de petróleo, com consequências a serem observadas em todo o mundo.

*Com informações da Reuters 

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