As lavouras de milho na segunda safra no estado de Goiás enfrentam desafios significativos devido ao clima. Os 230 quilômetros que separam Goiânia do município de Rio Verde estão preenchidos por essas lavouras, que ganham destaque na paisagem do cerrado goiano, mesmo após um atraso no plantio.
Conforme informações de Clodoaldo Calegari, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), as chuvas prejudicaram a colheita da soja, reduzindo a janela de semeadura do milho safrinha. O plantio deveria ter sido finalizado em 20 de fevereiro, mas apenas foi concluído em 15 de março, o que pode impactar a germinação e, por consequência, a produtividade dos grãos. Calegari expressa preocupação com a possibilidade de queda na produtividade num ano em que já se enfrentam margens apertadas.
“Nossa janela foi empurrada para frente e saímos do tempo ideal para o plantio do milho. Os próximos 15 a 20 dias serão cruciais para a formação das vagens”, ressalta Calegari, enfatizando a falta de cobertura de seguros rurais, o que deixa os produtores em uma situação delicada.
Impactos no Plantio de Milho
Beckembauer Ferreira, coordenador técnico comercial da COMIGO, maior cooperativa de Goiás, afirmou que este ano apresenta um atraso sem precedentes. Analisando um histórico de dez anos, ele pontua que o ciclo passado foi um dos melhores em produção, especialmente nas regiões mais altas, como Jataí e Serranópolis. “Com a previsão do fenômeno El Niño nos próximos meses, o risco de déficit hídrico é real”, alerta.
A Relevância do Milho em Goiás
Apesar da soja ser a cultura predominante em volume e valor, o milho tem mostrado sua importância na economia goiana, transformando-se ao longo das últimas três décadas. O milho, presente na culinária local, teve sua produtividade elevada com avanços tecnológicos. No final da década de 1990, a produção da safrinha estava em média de 80 sacas por hectare, o que, com a biotecnologia, triplicou para 130 sacas atualmente.
Com o crescimento da agroindústria, o milho deixou de ser uma simples commodity e passou a integrar a produção de proteína animal. O surgimento de marcas como Sadia e Perdigão contribuíram para dar um novo valor ao grão.
Inovações e Oportunidades Futuras
Uma nova era se inicia com a construção da primeira usina de etanol de milho em Goiás por parte da Inpasa, com operações previstas para março de 2027, demandando 2 milhões de toneladas de milho por ano. A produção de DDG (Grãos Secos de Destilaria) também aumenta, proporcionando uma alternativa saudável para a nutrição animal e contribuindo para a engorda do gado, especialmente considerando que Goiás possui o segundo maior rebanho bovino do país.
“Essa nova oportunidade de comercialização irá trazer mais alavancagem para nossos cooperados”, finaliza Dorivan Cruvinell, presidente executivo da Comigo, ressaltando o potencial de crescimento e sustentabilidade na agricultura goiana.

