Após anos de alta, demanda de fertilizantes deve normalizar em 2026

O futuro do consumo de fertilizantes no Brasil parece incerto, especialmente para o ano de 2026. Após um período de crescimento contínuo, a expectativa é de uma queda na demanda, conforme análise do Rabobank. Este cenário se deve a precios elevados, dilemas financeiros enfrentados pelos agricultores e as influências geopolíticas no mercado internacional.

As previsões indicam que o Brasil consumirá aproximadamente 47,2 milhões de toneladas de fertilizantes em 2026, um número inferior aos 49 milhões de toneladas registrados em 2025. Este declínio reflete as dificuldades que os produtores enfrentam diante dos altos custos e da necessidade de decisões financeiras cada vez mais cuidadosas.

O relatório do Rabobank destaca que, apesar de um aumento nas entregas em 2025, os agricultores ainda enfrentarão desafios financeiros significativos. Embora tenham mantido seus investimentos, as restrições de crédito e os impactos de conflitos, como o do Oriente Médio, devem complicar a manutenção dos níveis de consumo de fertilizantes.

Desafios no Setor Agrícola

Os fatores que afetam a demanda incluem um cenário financeiro complicado que continuará a restringir a capacidade dos agricultores de investir adequadamente. Os custos elevados dos insumos tornam a permanência nos padrões anteriores de consumo um desafio significativo.

A crescente tensão no Oriente Médio também levanta preocupações sobre as cadeias globais de suprimento. Os preços dos fertilizantes, especialmente da ureia, são impactados por essa instabilidade e pela competição acirrada internacional, tornando ainda mais difícil para os produtores brasileiros cumprir suas metas de produção.

Importação e Dependência

O Brasil depende de importações para cerca de 90% dos fertilizantes que utiliza. Embora a contribuição do Oriente Médio esteja diminuindo, a região ainda é uma fonte crucial, respondendo por 12% das importações. No caso específico da ureia, 36% das importações em 2025 vieram dessa origem.

Historicamente, a maior parte da ureia chega ao Brasil entre maio e dezembro. Neste contexto, as interrupções no fornecimento podem intensificar a concorrência global e influenciar os preços de forma negativa.

Aumento nos Preços dos Fertilizantes

A ureia já apresentava tendência de alta no início de 2026, com um aumento significativo nos preços registrados nos portos brasileiros. Entre janeiro e março, a elevação foi de cerca de 76%. Esse crescimento foi acentuado ainda mais pela situação geopolítica, superando o aumento inicial observado na guerra da Ucrânia.

Como resultado, os agricultores precisam se preparar para uma realidade em que o custo dos insumos continua a subir, desafiando suas margens de lucro e capacidade de planejamento para a próxima safra.