O FMI (Fundo Monetário Internacional) impediu sua previsão de crescimento global nesta terça-feira (14) devido aos aumentos nos preços da energia e às interrupções no imediato antes da guerra no Irã, e alertou que a economia global cairá à beira da recessão se o conflito piorar e o petróleo permanecer acima de US$ 100 por barril até 2027.
Em meio à enorme incerteza sobre o conflito no Oriente Médio que assola as autoridades de finanças reunidas para as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington, o FMI apresentou três cenários de crescimento: mais fraco, pior e grave, dependendo do desenrolar da guerra.
Perspectivas do Crescimento Global
O “cenário de referência” mais otimista do relatório Perspectiva Econômica Mundial pressupõe uma guerra de curta duração com o Irã e prevê um crescimento real do PIB de 3,1% para 2026, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação à previsão anterior, feita em janeiro. Nesse cenário, o preço médio do petróleo fica em média em US$ 82 por barril durante todo o ano de 2026, uma queda em relação aos níveis recentes de cerca de US$ 100 para o Brent.
Na ausência do conflito no Oriente Médio, o FMI afirmou que teria revisado para cima sua previsão de crescimento em 0,1 ponto percentual, para 3,4%, devido à continuidade do boom de investimentos em tecnologia, taxas de juros mais baixas e apoio fiscal em alguns países.
Riscos e Impactos Econômicos
Mas a guerra criou um risco muito maior para a economia global devido à primeira onda de tarifas elevadas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há um ano. Gourinchas, economista-chefe do FMI, ressaltou que o que está acontecendo no Golfo Pérsico é ambientalmente muito maior, documentando os cenários que eles apresentam.
No “cenário adverso” de um conflito prolongado, o FMI prevê que o crescimento do PIB global cairá para 2,5% este ano, devido aos altos preços do petróleo. Em um “cenário grave”, que pressupõe um conflito prolongado e crescente, a economia global poderia encolher para 2,0%, uma situação muito próxima de uma recessão. Isso significaria uma para pior da condição econômica global, algo que aconteceu raras vezes nas últimas décadas.
Desafios Inflacionários e Setores Afetados
Gourinchas também alertou que a manutenção desses altos preços de energia poderia levar a uma inflação duradoura, exigindo que bancos centrais elevassem suas taxas de juros para conter a pressão inflacionária. Em tal cenário, a expectativa é que a inflação global para 2026 ultrapasse os 6% no cenário grave, em comparação com 4,4% no cenário otimista.
Já a previsão de crescimento para os Estados Unidos neste ano foi mantida em 2,3%, refletindo efeitos positivos de cortes de impostos e investimentos em tecnologia. Enquanto a zona do euro, afetada pela crise da energia, verá uma perspectiva de crescimento reduzida, indicando os desafios significativos que a economia global está enfrentando neste contexto volátil.



