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Qualidade da dívida das famílias é mais grave que tamanho: Entenda

Qualidade da dívida das famílias é mais grave que tamanho: Entenda

A inadimplência das famílias brasileiras é uma preocupação crescente, especialmente com os números se aproximando do pico histórico de 2012. De acordo com um estudo da LCA Consultoria, o problema está menos relacionado ao montante da dívida e mais à sua qualidade. Atualmente, os brasileiros estão destinando mais de 9% de sua renda apenas para o pagamento de juros, sendo que o cartão de crédito é o principal responsável pela situação, com a inadimplência no rotativo alcançando 64%.

O diretor da LCA, Eric Brasil, ressaltou o aumento da inadimplência desde o pós-pandemia. Em entrevista à CNN Money, ele comentou: “A inadimplência das famílias brasileiras começou a crescer a partir de 2020 e hoje está chegando a níveis comparáveis aos de uma década atrás.”

Causas da inadimplência

O surpreendente é que, ao contrário de períodos anteriores de alta inadimplência, outros indicadores econômicos estão estáveis. “Temos uma taxa de desemprego histórica baixa, a renda está aumentando e a inflação — embora elevada — está relativamente controlada. Mesmo assim, a inadimplência continua a crescer”, observou.

O crédito rotativo foi identificado como o maior problema. Segundo a LCA, este tipo de crédito é mais acessível e de curto prazo, mas com custos extremamente altos. “Dívidas no cartão de crédito e no cheque especial são os principais fatores por trás desse crescimento da inadimplência”, afirmou Eric Brasil, enfatizando a qualidade desse endividamento, que geralmente envolve crédito de curto prazo e altas taxas de juros.

Soluções necessárias

O estudo também investigou possíveis razões de consumo para a inadimplência. Contrariando algumas crenças, os gastos com apostas online representam apenas 0,46% do consumo das famílias, enquanto o consumo com serviços de streaming é quase o dobro. Para Eric Brasil, o problema é multifatorial e é necessário implementar soluções complexas. Ele argumentou que, devido à elevada taxa de juros básica do Brasil — a segunda maior do mundo —, isso impacta todas as taxas de crédito no país.

Ele propõe ações em duas frentes: abordar as causas estruturais que tornam as taxas de juros elevadas e promover uma educação financeira abrangente. “Isso deve ser introduzido desde os primeiros anos do ensino fundamental, para que futuras gerações consigam gerenciar melhor seus orçamentos familiares”, disse Brasil.

Ele acrescentou que programas como o Desenrola Brasil tratam apenas dos sintomas da inadimplência, em vez de focar nas causas. “Devemos entender a infecção e começar a combatê-la, em vez de esperar que a febre suba para agir”, concluiu.

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