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Solidão eleva risco clínico e reduz sobrevida em idosos com câncer

A solidão em pacientes oncológicos é um tema que merece atenção especial, principalmente entre os idosos. Pesquisas recentes mostram que essa condição pode impactar negativamente a saúde e a adesão ao tratamento, tornando-se um fator de risco significativo.

Um estudo publicado na The Lancet Healthy Longevity revelou que o isolamento social está ligado à redução da sobrevida e à agravamento dos sintomas nos pacientes com câncer. A pesquisa, que reuniu especialistas de 14 países, definiu a solidão como uma experiência subjetiva negativa, que se intensifica na oncologia geriátrica, podendo ter consequências fatais.

Impactos da solidão na saúde

Os oncologistas, como Patrícia Taranto, ressaltam que a solidão forma uma barreira que inviabiliza o tratamento adequado. A falta de apoio pode levar à diminuição da adesão às consultas e à medicação, afetando diretamente a percepção do paciente sobre sua doença e seus objetivos de tratamento. Isso pode resultar em um ciclo vicioso de negligência e má qualidade de vida.

Ademais, o isolamento social pode levar a um agravamento do estado emocional dos pacientes, que se sentem desmotivados e com pouca força física para lidar com as limitações decorrentes da doença. A interrupção do acompanhamento devido a essa solidão pode aumentar o risco de morte, representando um grave desafio na oncologia.

Solidão versus depressão

A solidão é frequentemente confundida com a depressão, mas são condições distintas. A solidão está relacionada à percepção de falhas nas relações sociais, enquanto a depressão envolve sintomas persistentes como baixa autoestima. Para os idosos, a solidão é muitas vezes causada pela perda de entes queridos e problemas de saúde que limitam a mobilidade.

Rick Kiiti Borges, especialista em psicogeriatria, comenta que o isolamento pode prejudicar a saúde mental, levando a um aumento nos níveis de cortisol e à intensificação de processos inflamatórios, o que é especialmente perigoso em pacientes oncológicos.

Abordagens para combater o isolamento

Os autores do consenso sugerem uma abordagem multidisciplinar incluindo oncologistas, geriatras e psicólogos. Grupos de apoio e atividades físicas em equipe são estratégias eficazes para reduzir o sentimento de solidão. A presença humana facilita a empatia e o cuidado, melhorando a saúde mental e a adesão ao tratamento.

Visitas domiciliares também se mostram fundamentais para os pacientes com dificuldades de mobilidade, proporcionando suporte emocional e aumentando a motivação para o tratamento.

É essencial que a atenção médica não se concentre apenas no aspecto físico da doença, mas que também envolva o bem-estar emocional e social dos pacientes, garantindo um tratamento mais holístico e eficaz no combate ao câncer.

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