Ícone do site Portal R7 Brasil

Menisco: quando a cirurgia pode não ser a melhor opção

Os meniscos de joelho são estruturas essenciais para o bom funcionamento desta articulação. Atuam como amortecedores, auxiliam na distribuição de cargas, melhoram a estabilidade e protegem a cartilagem. Portanto, quando ocorre uma lesão, a decisão sobre o tratamento deve considerar diversas variáveis, não apenas a dor imediata, mas também o futuro da articulação.

No passado, era comum a remoção da parte lesionada do menisco de forma relativamente simples. A lógica era clara: se o tecido estava rasgado e causava dor, retirava-se o fragmento afetado. Contudo, estudos subsequentes revelaram que a perda de menisco aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem, podendo acelerar o desgaste do joelho.

Do “cortar” ao “preservar”

A ortopedia moderna tem enfatizado cada vez mais a importância da preservação meniscal. Não apenas para reduzir as indicações cirúrgicas, mas também para priorizar a reparação cirúrgica com sutura do menisco sempre que possível.

Essa mudança é especialmente significativa em pacientes jovens, atletas ou pessoas que sofreram lesões traumáticas recentes. Nesses casos, a preservação do menisco pode diminuir o risco de degeneração futura e manter melhor a função do joelho.

No entanto, isso não significa que toda lesão possa ser suturada. O tipo, a localização, o tempo de evolução e a qualidade do tecido influenciam diretamente na escolha do tratamento.

Nem toda lesão precisa de cirurgia

Um avanço crucial foi a compreensão de que muitas lesões degenerativas do menisco, comuns pelo envelhecimento e pelo desgaste natural do joelho, nem sempre se beneficiam de cirurgia.

Estudos recentes demonstram que, em várias situações, o tratamento conservador – incluindo fisioterapia, fortalecimento muscular, controle de peso e ajustes nas atividades – pode ser suficiente para mais da metade dos pacientes, oferecendo resultados semelhantes aos da cirurgia, especialmente quando não há bloqueio articular.

A dor, nesses casos, muitas vezes deriva não apenas do menisco, mas de um conjunto de fatores como sobrecarga, inflamação, fraqueza muscular e início de artrose.

Por essa razão, operar com base apenas na imagem da ressonância é um erro comum que pode ser evitado com uma boa conversa e um exame físico minucioso.

O impacto no longo prazo

A remoção de parte do menisco pode aliviar sintomas em situações adequadas, mas também reduz a capacidade do joelho de absorver impacto. Com a redução do menisco, a cartilagem sofre mais carga, aumentando o risco de artrose ao longo dos anos.

Assim, a decisão deve ser personalizada. Em lesões traumáticas, instáveis ou que causem bloqueios articulares, a cirurgia pode ser necessária. Por outro lado, em lesões degenerativas, a abordagem inicial deve frequentemente ser conservadora.

Atualmente, o objetivo não é simplesmente “resolver a lesão”, mas sim preservar a articulação pelo maior tempo possível.

Tratar o menisco exige um equilíbrio entre aliviar a dor do presente e proteger o joelho para o futuro. Esta é talvez a principal mudança na ortopedia contemporânea: reconhecer que operar nem sempre é necessário e que, em se tratando de menisco, menos remoção pode significar mais saúde no amanhã.

*Texto escrito por Camila Cohen Kaleka, ortopedista e membro da Brazil Health (CRM/SP 127.292 | RQE 57.765)

Pilates pode ajudar com dores no joelho; veja 5 exercícios

Sair da versão mobile