O PL (Partido Liberal) decidiu intensificar sua defesa pela instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ou CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Master. Essa ação vem mesmo com a consciência de que as chances de sucesso são baixas.
Os membros da direita reconhecem as dificuldades em convencer a cúpula do Congresso a abrir uma comissão a apenas cinco meses das eleições. Contudo, a avaliação é de que o PL transmitirá a mensagem de que “fez sua parte de cobrar” pelo colegiado.
A estratégia política do PL
O presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já promoveu uma sessão conjunta, onde poderia ter lido o requerimento de criação da comissão mista, um passo necessário para avançar na questão. Contudo, essa leitura não ocorreu.
A pauta da sessão ficou restrita à análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria, que foi derrubado pelos parlamentares.
Naquela ocasião, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) não insistiram tanto na CPMI, que já era vista como um projeto fadado ao fracasso. Entretanto, atualmente, as recentes revelações sobre conversas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro reacenderam o debate. Para os integrantes do partido, essa estratégia é uma maneira de mostrar aos eleitores que não têm nada a temer em relação à crise envolvendo o Banco Master.
Impacto das revelações sobre Flávio Bolsonaro
A instalação da CPMI ou CPI — quando apenas no Senado ou na Câmara — foi defendida por Flávio em um vídeo recente, onde tentava explicar a cobrança de dinheiro a Vorcaro. Ele alegou que se tratava de captação de recursos privados para finalizar um filme sobre a história de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Essa argumentação revela uma tática de comunicação que já está sendo utilizada por ele.
A expectativa de aliados de Flávio é que uma eventual CPMI possa impactar também o PT, especialmente em investigações sobre negócios na Bahia, relacionados a um ex-sócio de Vorcaro. Esse aspecto aponta a natureza multifacetada que a questão do Master envolve no cenário político atual.
Perspectivas e dúvidas sobre a efetividade da CPI
Nos últimos dias, alguns membros do PT também se manifestaram a favor da instalação da CPMI/CPI sobre o Master. No entanto, até aqui, pouco se avançou de fato.
Entre os líderes partidários, reina um certo ceticismo sobre a produtividade de uma comissão nesse momento. As investigações continuam sendo conduzidas pela Polícia Federal, e há dificuldades concretas na realização das audiências, já que muitos convocados têm conseguido decidir sobre habeas corpus no Supremo Tribunal Federal.
Para muitos analistas, a criação de uma CPMI seria vista como uma oportunidade de fortalecer palanques eleitorais, mas poderia falhar em trazer resultados concretos fora do jogo político. A insistência do PL em promover essa CPI, ao que parece, visa mais um posicionamento estratégico do que uma real disposição de investigar a fundo os problemas envolvidos.
A partir deste cenário, o desfecho da situação em torno da CPI do Master poderá influenciar não apenas a reputação do PL e de seus líderes, mas também moldar as percepções dos eleitores nas próximas eleições.

