Produção industrial cai e tem pior mês de abril em 3 anos: entenda

Produção industrial cai e tem pior mês de abril em 3 anos: entenda

A produção industrial brasileira enfrenta um momento desafiador, conforme relatado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na última sexta-feira (22). O índice que mede a evolução da produção caiu substancialmente, atingindo 46,7 pontos em abril, o nível mais baixo para o mês desde 2023. Esta trajetória negativa destaca a pressão que o setor industrial sente devido a fatores como juros altos e aumento dos custos operacionais.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica que apesar de ser normal que a produção recue em abril, a queda registrada em 2026 é especialmente acentuada. “A série histórica mostra que é usual a desaceleração nesta época do ano, mas a intensidade desse recuo sugere uma perda de ritmo mais significativa na atividade industrial”, afirma.

Desemprego e Utilização da Capacidade Instalada

Além da queda na produção, o índice que avalia a evolução do número de empregados no setor também registrou diminuição, passando de 49,1 pontos em março para 48,7 pontos em abril. Este indicador confirma um recuo nos postos de trabalho, refletindo que a situação, embora usual, se mostra mais severa do que em anos passados. Atualmente, esse índice está em seu nível mais baixo nos últimos três anos.

Outro reflexo deste cenário de queda na produção é a utilização da capacidade instalada (UCI), que também enfrentou uma diminuição, registrando 68% em abril, um ponto a menos do que o mesmo mês do ano anterior, quando se situava em 69%. Este resultado é indicativo de menor demanda pelo parque industrial, o que pode ter repercussões no longo prazo se a tendência se mantiver.

Expectativas no Setor Industrial

Apesar dos desafios atuais, as expectativas para o setor industrial mostram alguns sinais de otimismo. Em maio, os índices de expectativa apresentaram pequenas variações, mas se mantiveram em campo positivo. O índice correspondente à expectativa de compra de insumos e matérias-primas aumentou 0,1 ponto, alcançando 52,6 pontos. Além disso, o índice de número de empregados subiu para 50,4 pontos, com um crescimento de 0,3 ponto. O indicador relativo à quantidade exportada também seguiu uma trajetória de alta, com um aumento semelhante, atingindo 51,2 pontos.

Por outro lado, a expectativa de demanda por produtos industriais teve um leve recuo de 0,5 ponto, totalizando 53,4 pontos. Porém, todos os índices de expectativa permanecem acima da linha de 50 pontos, sinalizando que os empresários ainda projetam crescimento na demanda por seus produtos, nas compras de insumos, no número de trabalhadores e nas exportações.

Aumento da Intenção de Investimentos

Um aspecto encorajador é o aumento na intenção de investimento dos empresários, que cresceu 1,1 ponto, passando de 53,7 para 54,8 pontos. Esse resultado é relevante pois interrompe uma sequência de quatro quedas consecutivas, indicando que a confiança no futuro pode estar se restabelecendo entre os agentes do setor.

A pesquisa da Sondagem Industrial da CNI, realizada entre 4 e 13 de maio de 2026, envolveu 1.366 empresas, sendo 576 pequenas, 465 médias e 325 grandes. Esses dados são essenciais para entender não só o quadro atual, mas também as expectativas e a disposição dos empresários em investir no futuro do setor industrial no Brasil.

O momento exige uma análise cuidadosa da situação econômica, buscando alternativas que possam mitigar as dificuldades vivenciadas atualmente. Para isso, o acompanhamento contínuo dos índices e a adaptação às novas realidades do mercado se tornam fundamentais para garantir a recuperação da produção industrial e a manutenção dos empregos no país.