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Nova York e Nova Jersey investigam venda de ingressos Fifa

A Procuradoria-geral dos estados de Nova York e Nova Jersey anunciou, nesta quarta-feira (27), a emissão de uma intimação judicial contra a FIFA. A ação investiga as práticas de venda de ingressos da entidade máxima do futebol, após denúncias na mídia apontarem irregularidades na localização dos assentos dos torcedores para a próxima Copa do Mundo. As procuradoras-gerais Letitia James e Jennifer Davenport buscam esclarecer o que muitos consideram uma exploração dos consumidores.

Irregularidades na venda de ingressos

De acordo com as autoridades, torcedores relataram não ter recebido os ingressos na categoria pela qual pagaram. O documento detalha que compradores que escolheram e pagaram pela “Categoria 1” — os setores mais próximos ao campo — acabaram realocados em assentos mais distantes, correspondentes à “Categoria 2”. Essa prática tem gerado descontentamento e questionamentos sobre a transparência da FIFA em suas transações e políticas de venda.

A política de preços da FIFA para o Mundial de 2026 também entrou no radar das investigações. Segundo as procuradoras, os valores praticados “superam de longe” os de qualquer edição anterior do torneio, levantando críticas sobre como isso afeta a acessibilidade dos ingressos para os torcedores.

“Ser honesto sobre a venda de ingressos não é complicado. Mas a FIFA transformou a compra de um bilhete para a Copa do Mundo em um teste de resistência cheio de confusão, escassez artificial e preços impossivelmente altos — tudo às custas dos consumidores,” criticou a procuradora de Nova Jersey, Jennifer Davenport. Ela ressaltou a frustração dos torcedores diante de práticas que parecem enganá-los.

A procuradora de Nova York, Letitia James, também expressou sua preocupação: “Os nova-iorquinos esperaram anos para ter a Copa do Mundo em seu quintal e merecem uma chance justa de obter ingressos acessíveis. Ninguém deve ser manipulado a pagar preços astronômicos.” O foco aqui é assegurar que a participação no evento esportivo não seja um privilégio apenas de alguns, mas disponível a todos os fãs do esporte.

O sistema de preços dinâmicos

A Copa do Mundo de 2026, com abertura marcada para o dia 11 de junho, será sediada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México. Esta é a primeira edição em que a FIFA adota o sistema de precificação dinâmica — modelo em que os valores oscilam em tempo real com base na demanda, na disponibilidade e no apelo de cada jogo. Como resultado, os preços na plataforma oficial de revenda da entidade dispararam, gerando uma sensação de exclusão entre os torcedores.

O cenário atual contrasta drasticamente com a estimativa de preços apresentada originalmente no livro de candidatura (bid book) dos três países sedes. Pressionada pela forte rejeição pública aos valores exorbitantes, a FIFA chegou a liberar uma carga limitada de ingressos a 60 dólares (cerca de R$ 310), localizados nos anéis superiores e nos cantos mais isolados dos estádios. Contudo, a prática ainda é vista como inadequada.

Em março, dezenas de parlamentares norte-americanos enviaram uma carta à FIFA exigindo a redução dos custos. No documento, os legisladores argumentaram que a tarifa dinâmica transformou o evento em uma “empresa excludente”, prejudicando os torcedores reais. Essa ação destaca a crescente insatisfação política e social em relação às estratégias da FIFA e o impacto delas sobre os consumidores.

Repercussões e apoio político

O caso ganhou repercussão no alto escalão político regional. A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, manifestou apoio público à ofensiva jurídica contra a entidade: “Nova Jersey está animada para sediar a Copa e acolher torcedores do mundo inteiro. Mas ninguém tem o direito de explorar os torcedores do nosso estado ou aqueles que nos visitam. Parabenizo as procuradoras Davenport e James por defenderem os consumidores.” A declaração revela a determinação dos líderes locais em proteger os interesses dos cidadãos.

Por outro lado, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu o sucesso comercial do evento durante o 76º Congresso da entidade, realizado no mês passado em Vancouver. Segundo Infantino, a procura por ingressos atingiu níveis sem precedentes, registrando mais de 500 milhões de solicitações para o torneio, que agora conta com um formato expandido de 48 seleções.

Além disso, “Já vendemos 100% do inventário que colocamos no mercado até agora, o que representa, mais ou menos, 90% da carga global de ingressos da competição,” declarou o mandatário da FIFA na ocasião. Essa afirmação, embora impressionante, levanta questionamentos sobre a ética por trás da venda dos ingressos e a gestão da experiência do torcedor.

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