Com base no comportamento dos ventos em sete exoplanetas gasosos grandes e quentes, os astrônomos obtiveram a evidência mais forte até o momento de que planetas além do nosso sistema solar possuem campos magnéticos, semelhantes aos da Terra e de outros cinco planetas do nosso sistema solar.
A descoberta, realizada por meio de observações feitas por telescópios no Chile e no Havaí, aprofunda a compreensão sobre os exoplanetas ao mostrar que pelo menos alguns deles compartilham uma característica importante presente em todos os planetas do sistema solar, com exceção de dois. Os campos magnéticos são campos de força invisíveis gerados pelo movimento de material eletricamente condutor no interior de um planeta — um núcleo de metal fundido — combinado com a rotação planetária.
Embora nenhum dos exoplanetas analisados seja candidato a abrigar vida, um campo magnético pode ser um dos fatores que contribuem para tornar um planeta rochoso como a Terra habitável.
Cada um desses exoplanetas orbita muito próximo a uma estrela grande e quente, com um lado permanentemente voltado para a estrela e o outro lado eternamente voltado para o lado oposto, fenômeno semelhante ao que ocorre com a Lua em relação à Terra.
Esse tipo de exoplaneta é chamado de “Júpiter quente” devido ao seu tamanho e composição que se assemelham ao do maior planeta do nosso sistema solar, embora apresentem temperaturas muito mais elevadas. A massa dos sete planetas variava, podendo ser aproximadamente a mesma de Júpiter ou até mais de três vezes sua massa.
Nesses exoplanetas, fortes ventos sopram do lado quente (“lado diurno”) para o lado frio (“lado noturno”). A proximidade orbital dos planetas em relação às suas estrelas resulta em temperaturas atmosféricas escaldantes no lado diurno. Todos estão mais próximos de suas estrelas do que Mercúrio, o planeta mais interno do Sistema Solar, está do Sol.
Esperava-se que os planetas com temperaturas mais altas tivessem ventos mais fortes. Mais energia no sistema geralmente leva a ventos mais violentos. Contudo, a astrônoma Julia Seidel, do Laboratório Lagrange do Observatório da Côte d’Azur, em Nice, França, e principal autora do estudo, relatou que “observamos o oposto”. Os planetas mais quentes apresentam ventos menos intensos que misturam a atmosfera de maneira eficiente.
Seidel destacou que “toda a energia que a estrela deposita na atmosfera do planeta precisa ser dissipada de uma forma diferente. E a única possibilidade de frear a atmosfera tão rapidamente é por meio do campo magnético e da sua interação com as partículas carregadas em movimento na atmosfera.”
A velocidade dos ventos nos sete exoplanetas chegou a 25.000 km/h (15.500 milhas por hora), superando os ventos em Júpiter.
Considerando que a maioria dos planetas do nosso sistema solar possui campos magnéticos, surpreende que haja dificuldades em encontrar evidências convincentes sobre isso nos exoplanetas. Contudo, os pesquisadores afirmaram: “Não analisamos um único exoplaneta, mas sim uma população deles, e estamos observando uma tendência emergente.”
O campo magnético de Júpiter é o maior e mais poderoso do nosso sistema solar. Embora os sete exoplanetas tenham gerado campos magnéticos menores que o de Júpiter, eles são comparáveis aos campos magnéticos de outros planetas do sistema solar.
Atualmente, Mercúrio, Saturno, Urano e Netuno se juntam à Terra e a Júpiter, formando a lista de planetas do sistema solar que geram um campo magnético global. Por outro lado, Vênus e Marte são os dois planetas que não possuem campo magnético, sendo que Ganimedes, uma grande lua de Júpiter, gera o seu próprio campo magnético, assim como a Lua da Terra, que também apresentou um campo magnético no passado.
Um campo magnético é crucial para determinar se um planeta consegue manter sua atmosfera por períodos prolongados. Por exemplo, Marte já teve um campo magnético, mas o perdeu bilhões de anos atrás, após o resfriamento de seu interior, resultando em uma atmosfera tênue e uma paisagem inóspita.
Embora muitas vezes seja um equívoco acreditar que campos magnéticos determinam diretamente a habitabilidade de um planeta, eles desempenham um papel importante na evolução planetária ao longo do tempo. A vida como a conhecemos depende da existência de uma atmosfera, que ajuda a regular pressão, temperatura e permite a presença de água líquida na superfície, essencial para a vida.

