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Irã diz que agência da ONU politiza supervisão nuclear em Teerã

Irã diz que agência da ONU politiza supervisão nuclear em Teerã

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, destacou recentemente a necessidade de a agência nuclear da ONU evitar a transformação de relatórios técnicos em instrumentos de pressão política. Ele argumentou que esse tipo de ação compromete a possibilidade de uma solução diplomática entre as partes envolvidas.

Gharibabadi defendeu que a perda da capacidade de supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em algumas instalações não deve ser atribuída à falta de cooperação do Irã, mas sim aos ataques que sofreram. O vice-ministro ainda frisou que a AIEA estaria utilizando as consequências desses ataques, feitos pelos Estados Unidos e Israel, para criar ambiguidade sobre o programa nuclear de Teerã.

A declaração de Gharibabadi seguiu a divulgação de um relatório pela AIEA, que foi enviado aos Estados membros, sem apresentar grandes mudanças na avaliação do programa nuclear iraniano. Apesar das tensões constantes e dos novos ataques que visavam obstruir o desenvolvimento de armamentos nucleares irânicos, o relatório da AIEA manteve um tom cauteloso e exigiu explicações sobre os estoques de urânio enriquecido.

No primeiro relatório sobre o programa nuclear iraniano após os ataques aéreos dos EUA e Israel no final de fevereiro, a AIEA reiterou seu pedido para que o Irã esclarecesse o paradeiro dos estoques de urânio. Dentre as preocupações levantadas, destaca-se a aparente perda do controle sobre a origem do urânio, que estava sendo investigado como parte das operações normais de monitoramento.

Durante a campanha de bombardeio conjunta no ano passado, diversos locais nucleares iranianos foram atingidos, levando ao desaparecimento de quantidades significativas de urânio. As pressões políticas sobre o Irã aumentaram, especialmente com os esforços dos líderes dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que têm insistido na destruição do programa nuclear iraniano como parte de suas estratégias militares e diplomáticas.

Esses eventos têm dificultado as negociações entre os Estados Unidos e o Irã. O estoque de urânio enriquecido do país tem sido uma pedra de toque nas discussões, com Trump exigindo sua eliminação em acordos que visam pôr fim à guerra. Apesar disso, iniciativas recentes têm buscado um entendimento preliminar que adiaria as questões nucleares para uma futura negociação.

O relatório da AIEA, que foi uma das duas análises divulgadas em 4 de outubro, foi acessado pela agência Reuters e apresentado antes da reunião trimestral do Conselho de Governadores da AIEA. Nos documentos, observou-se que pouca coisa havia mudado desde os relatórios anteriores, que foram elaborados antes da escalada de conflitos no final de fevereiro.

O diretor-geral da Agência enfatizou que é vital que o Irã implemente o Acordo de Salvaguardas do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e que essa implementação não deve ser suspensa, independente das circunstâncias. No entanto, a AIEA enfrenta dificuldades em conseguir acesso a locais que foram alvo dos bombardeios realizados por Israel e pelos EUA.

Apesar das insistências em garantir a supervisão do urânio enriquecido, Israel não informou à AIEA sobre os estoques de urânio que permanecem sob total sigilo. O relatório destaca que a inabilidade da AIEA em acessar locais nucleares que foram atingidos há quase um ano é um motivo sério de preocupação em relação à proliferação e à conformidade com os acordos estabelecidos no TNP.

A ausência de supervisão durante um período tão prolongado resultou em uma preocupante falta de controle sobre a situação. A AIEA alarmou sobre a perda da “continuidade do conhecimento”, que é fundamental para manter o registro adequado do material nuclear. Com isso, enfatizaram a urgência de se resolver a falta de continuidade sobre os materiais nucleares declarados anteriormente nos locais que foram afetados pelos ataques militares.

Em suma, a situação atual exige um debate cauteloso e prudente. As ações da AIEA e as respostas do Irã determinarão os próximos passos na delicada balança política que envolve o programa nuclear e as relações internacionais na região. O engajamento contínuo e a supervisão eficaz são cruciais para se evitar um agravamento da crise e buscar um caminho que possibilite um diálogo produtivo entre as partes.

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