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Redução da escala de trabalho: impactos e soluções para empresas

Redução da escala de trabalho: impactos e soluções para empresas

A discussão sobre as mudanças na jornada de trabalho no Brasil e a proposta de fim da escala 6×1 levantam preocupações significativas no setor produtivo. Em entrevista ao Bastidores CNN, José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), destacou que essas alterações podem levar ao colapso de micro e pequenos empresários no país. Ele também apontou que os custos adicionais serão repassados a todos os consumidores.

Velloso participou de uma reunião com empresários de distintos setores — como indústria, serviços, varejo e agricultura — onde o clima de apreensão era evidente. “A expectativa não é boa. Existe uma preocupação muito grande dos empresários“, comentou ele.

Preocupações com a ausência de transição

Um dos aspectos mais criticados por Velloso é a falta de um período de transição adequado. A proibição da escala 6×1 seria imediata, sem qualquer fase de adaptação. Em contrapartida, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas teria uma primeira etapa de transição para 42 horas, com um prazo de apenas 60 dias. “Como é que em 60 dias o empresário vai conseguir refazer a sua grade? Ninguém vai conseguir fazer isso”, questionou ele.

O presidente da Abimaq sublinhou que o setor industrial já enfrenta desafios para contratar mão de obra especializada. Com as mudanças propostas, a escassez de trabalhadores qualificados tende a piorar ainda mais. “Já temos muitas vagas que não são preenchidas e agora vamos ter mais um problema”, declarou.

Impacto nos custos e na população

Velloso foi enfático ao afirmar que o aumento de custos resultante da redução da jornada será transferido para os preços dos produtos e serviços. Ele lembrou que cerca de 40 a 44 milhões de brasileiros possuem carteira assinada, mas que todos os cidadãos — com ou sem vínculo formal — acabarão pagando a conta. “Todos pagarão a conta porque, logicamente, vai haver repasse“, explicou ele.

Esse repasse se dá pelo fato de que as empresas continuarão tendo as mesmas despesas, mas com uma produção reduzida, além de arcar com o aumento do custo de horas extras e a dificuldade em substituir trabalhadores. Para o pequeno comércio, a situação se tornaria ainda mais crítica. Velloso exemplificou que, sem um período de transição adequado, pequenos empresários não conseguiriam contratar funcionários a tempo de abrir seus estabelecimentos após a vigência da nova lei. “É lógico que vai ter um colapso, principalmente nos primeiros meses e anos”, alertou.

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