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Proibição de celular na escola tem efeito surpreendente em alunos

Proibição de celular na escola tem efeito surpreendente em alunos

Proibir o uso de celulares nas escolas melhora o desempenho dos alunos? Essa questão vem gerando debates acalorados no meio educacional. Um estudo recente do NBER (National Bureau of Economic Research), realizado nos Estados Unidos, fornece dados relevantes e uma nova perspectiva sobre esse tema, revelando resultados que vão além do que muitos poderiam imaginar.

A pesquisa focou na análise de quase 5 mil escolas públicas americanas que implementaram bolsas lacráveis, que limitam o acesso ao celular durante todo o período escolar. Os alunos guardam seus aparelhos em bolsas ao chegarem e só podem retirá-los ao sair da escola. Este estudo, conduzido por pesquisadores de Stanford, Duke, Penn e Michigan, abrange dados coletados entre 2023 e 2025.

Funcionamento das bolsas lacráveis

As bolsas lacráveis são cases de tecido equipados com um dispositivo magnético. Ao entrar na escola, o aluno coloca seu celular dentro da bolsa, que só pode ser aberta em estações magnéticas situadas em pontos específicos da escola, geralmente no final do dia ou em situações de emergência. Esse método é considerado mais severo do que enfoques que apenas sugerem que os alunos deixem seus celulares na mochila ou que o uso seja proibido em sala de aula. Portanto, essa abordagem foi escolhida para o estudo, pois possibilita uma análise mais precisa do que acontece quando o acesso ao celular é totalmente restringido.

Resultados do estudo sobre o uso de celulares

Os resultados iniciais são claros: as bolsas foram eficazes na diminuição do uso dos celulares. Dados de GPS indicaram uma redução de aproximadamente 30% na atividade de dispositivos dentro das escolas após a implementação das bolsas.

Os professores relataram uma redução ainda mais significativa: de 61% para apenas 13% dos alunos utilizando o celular em sala para finalidades pessoais, o que representa uma redução de quase 80%.

Impactos da restrição no desempenho e bem-estar dos alunos

Relação entre a proibição e as notas escolares

Os pesquisadores sugerem algumas hipóteses para o fato de as notas não terem melhorado. Uma delas é que, ao tirar o celular de cena, os alunos passaram a se distrair de outras formas, como por meio de mais conversas com colegas. Outro ponto levantado é que, em algumas instituições, o celular era utilizado para fins pedagógicos, e sua ausência pode ter criado lacunas no processo de aprendizagem.

É importante notar que há diferenças significativas entre as faixas etárias. Escolares mais jovens, que possuem menor controle de impulsos, podem ter substituído a distração do celular por outros comportamentos dispersivos. Por outro lado, nos ensinos médios, onde o uso do celular era mais intenso, a restrição resultou em ganhos modestos, especialmente em matemática.

Os autores do estudo destacam que as conclusões obtidas devem ser interpretadas com cautela, pois a pesquisa observou as escolas apenas por até três anos após a adoção das bolsas. Portanto, os efeitos a longo prazo permanecem indeterminados.

A percepção de pais e alunos sobre a restrição

Além das análises, o estudo também recorreu a uma pesquisa separada com pais e estudantes. A maioria dos pais demonstrou apoio à proibição do uso de celulares nas escolas, esperando melhorias em notas, relacionamentos e saúde mental dos alunos. Em contrapartida, os alunos mostraram-se contrários à medida, acreditando que os benefícios seriam inferiores às expectativas dos pais.

Essa divergência de opiniões é relevante para os tomadores de decisão da política escolar. As evidências apontam que tanto os pais quanto os alunos, em seus extremos otimistas e céticos, não estão completamente certos.

Reflexões sobre a proibição de celulares nas escolas

O Brasil também está inserido nesse contexto debatido. A Lei nº 15.100, sancionada em janeiro de 2025, proibiu o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de educação básica em todo o território nacional, formando uma das legislações mais abrangentes do mundo a respeito do assunto.

Embora o estudo americano não forneça respostas definitivas, ele traz evidências concretas para um debate que frequentemente é marcado por opiniões polarizadas. A simples restrição do uso do celular não é uma solução mágica para a melhoria do desempenho escolar; porém, pode contribuir para a criação de um ambiente mais saudável, desde que as instituições estejam preparadas para a fase de adaptação.

Conforme os pesquisadores apontam, a discussão em torno do uso do celular nas escolas ainda está em evolução. O que se constata neste momento é que a proibição não é suficiente; é fundamental planejar o que deve acontecer após a restrição.

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