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Copom foi confuso e deixou cenário incerto para investidores

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu recentemente reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, agora fixada em 14,25% ao ano. Essa decisão, anunciada na noite de quarta-feira (17), foi acompanhada por um comunicado extenso que gerou considerável discussão entre economistas e agentes de mercado.

Para Silvia Ludmer, do Andbank, o comunicado foi caracterizado como longo e confuso. “Confuso, confuso, eu concordo”, destacou a economista, referindo-se ao fato de que alguns grupos de especialistas ficaram “desorientados” após a leitura do documento.

Segundo Ludmer, ao invés de esclarecer o pensamento do Banco Central, alguns trechos do texto contribuíram para um cenário de maior incerteza. Ela mencionou que não se recorda de um Copom recente que tenha gerado tanto alvoroço.

Contradições no comunicado do Copom

A economista apontou dois movimentos contraditórios que observei no texto. A primeira contradição é que o Banco Central listou várias preocupações, como o reaquecimento da atividade econômica, o baixo desemprego, a piora nas expectativas de inflação e a alta nos preços de alimentos. Surpreendentemente, justificou a continuidade dos cortes de juros.

“A gente começou a ler e falou: nossa, realmente, está endurecendo o tom, expressando preocupação. E aí, de repente, no próprio texto, ele faz uma reviravolta e justifica por que, mesmo com todos esses pontos, é possível continuar cortando a taxa Selic”, explicou Ludmer.

A segunda contradição abordada foi a decisão do Banco Central de ampliar o horizonte de sua política monetária. Em vez de projetar a inflação para o primeiro trimestre de 2027, a instituição passou a ter como foco o primeiro trimestre de 2028. Essa mudança permitiu ao BC apresentar uma projeção de IPCA mais próxima da meta de 3%, justificando assim os cortes.

“Se eu ficar olhando cada vez mais para frente, aí dá. Mas, na verdade, isso não deveria funcionar assim, é como uma espécie de “roubadinha””, refletiu a economista.

Projeções de inflação se deterioram

Ludmer destacou que, a cada reunião, as projeções de inflação do Banco Central estão se deteriorando. Em março, o IPCA projetado para o horizonte relevante era de 3,3%, subindo para 3,5% em abril. Na reunião de quarta-feira, essa projeção chegou a 3,7%, cada vez mais distante da meta de 3%. “As projeções de inflação estão piorando, ficando cada vez mais distantes da meta”, alertou Ludmer.

Tensão entre política monetária e fiscal

Além de fatores externos como a guerra citada no comunicado, Ludmer ainda apontou que o cenário interno está dificultando o processo de desinflação. Pacotes de estímulo do governo, que incluem facilidades para o financiamento de veículos, cortes de imposto de renda e programas de isenção de energia para baixa renda, injetaram entre 150 e 200 bilhões de reais na economia, aquecendo o consumo.

Ela resumiu a situação dizendo: “Um quer pisar no freio e o outro pisa no acelerador e pisa com força”, descrevendo a tensão entre a política monetária restritiva do Banco Central e a política fiscal expansionista do governo.

A resposta do mercado refletiu essa incerteza: os juros futuros de curto prazo recuaram, enquanto os de longo prazo subiram. Para Ludmer, essa dinâmica indica uma perda de credibilidade do Banco Central. “A gente já não sabe se ele realmente vai conseguir entregar a meta que precisa, especialmente com um governo que, em vez de ajudar a desinflacionar, acaba atrapalhando”, concluiu.

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