Moradores protestam após morte de homem baleado pela PM em SP

Moradores protestam após morte de homem baleado pela PM em SP

Na segunda-feira (13), um trágico incidente ocorreu no bairro São Rafael, na zona Leste de São Paulo. Um homem foi morto após ser baleado por policiais militares, o que desencadeou protestos na região, com moradores fechando ruas para manifestar sua indignação.

O homem, identificado como José Carlos da Rocha Sobrinho, teria apontado uma arma contra os policiais, que reagiram, resultando em sua morte. Ele foi socorrido ao Pronto-Socorro de Sapopemba, mas não sobreviveu aos ferimentos. De acordo com as informações da PM, José tinha antecedentes criminais e era considerado membro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Aos 43 anos, José era diácono na Assembleia de Deus Jeová Rapha. A igreja, em nota nas redes sociais, expressou suas condolências, destacando seu legado de fé e dedicação. “O Diácono José Carlos deixa um legado de fé, dedicação, humildade e amor ao próximo. Seu compromisso com a obra de Deus, seu testemunho de vida e seu exemplo de serviço permanecerão vivos na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo”, afirmou a nota.

O velório de José ocorre nesta quarta-feira (15), entre 12h15 e 14h15, no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, localizado no Parque das Nações, em Santo André.

A dinâmica do conflito

A PM relata que os agentes estavam em patrulhamento quando deram ordem de parada a um veículo. O condutor, José, não obedeceu à ordem. Ao se aproximarem, os policiais afirmaram que ele apontou uma arma em direção a eles, levando à troca de tiros. José foi atingido no pescoço, na nuca e na coxa direita, e estava portando uma pistola Glock, calibre 380, com numeração suprimida, que foi recolhida no local.

Os policiais envolvidos no episódio gravaram a ação com câmeras corporais; no entanto, esses dispositivos foram ativados somente após os disparos. Mais preocupante ainda, não havia testemunhas ou câmeras registrando o confronto nas proximidades do evento, o que dificulta a investigação dos fatos.

O veículo dirigido por José passou por perícia e foi deixado sob os cuidados dos policiais para apresentação ao 49º Distrito Policial (São Mateus), onde o caso foi registrado. A investigação segue com exames solicitados ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML). Um inquérito policial foi aberto para apurar as circunstâncias do ocorrido, com acompanhamento pela Corregedoria da PM.

Os protestos

Após a morte de José, a comunidade local organizou manifestações nas proximidades da Rua Miguel Ferreira de Melo na terça-feira (14). Os moradores demonstraram sua insatisfação pela violência policial, montando barricadas e queimando objetos em sinal de protesto. Imagens capturadas pelos próprios moradores mostram a intensidade do descontentamento.

As consequências da manifestação se espalharam pela cidade, com a avenida Jacu-Pêssego sendo interditada por conta da ação dos moradores.

A Polícia Militar foi acionada para monitorar a situação e, por volta das 16h30, o Corpo de Bombeiros também foi chamado para combater um pequeno incêndio. Durante esse tumulto, de acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), um homem de 52 anos foi preso por atirar pedras contra uma viatura policial durante o protesto, sendo então conduzido ao 49º Distrito Policial.

Esses eventos trágicos ressaltam as tensões que existem em várias comunidades em resposta a ações de força policial, suscitando um debate sobre a violência e a segurança pública na cidade de São Paulo.