A atual escassez de petróleo é uma das maiores que o mundo já enfrentou, afetando a economia global em múltiplos níveis. Desde o início da guerra com o Irã, as preocupações em torno da oferta de petróleo têm se intensificado, especialmente com os recentes bloqueios ao Estreito de Ormuz. Como resultado, o preço do petróleo disparou, ultrapassando a marca de US$ 80 o barril. Porém, a questão que se apresenta agora é a capacidade de produção de gasolina.
Nos últimos dias, centenas de milhões de barris de petróleo que saíram do Golfo Pérsico ampliaram as reservas globais. Entretanto, esse petróleo bruto por si só não é suficiente. É imprescindível que ele seja refinado em produtos utilizáveis, como gasolina e diesel. Contudo, a capacidade de refino mundial está em bottleneck, ou seja, profundamente limitada. Esse cenário é influenciado por uma combinação de fatores, incluindo ataques a refinarias no Oriente Médio e as consequências do conflito na Ucrânia.
Além disso, as condições climáticas extremas têm afetado o resfriamento necessário para a destilação eficaz nas refinarias. De acordo com Natasha Kaneva, chefe de pesquisa global de commodities do JPMorgan, as refinarias de petróleo estão processando 8,4 milhões de barris a menos por dia do que antes do início do conflito, resultando em uma queda de 10% na produção de combustíveis.
Demandas do Mercado de Combustível
Embora o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tenha se estabilizado parcialmente, a situação ainda é delicada. Os ataques na região e a postura do presidente Donald Trump em relação ao Memorando de Entendimento dificultaram a recuperação do tráfego marítimo. A produção do Oriente Médio está lentamente aumentando , mas há um longo caminho a percorrer. Enquanto isso, a escassez na demanda por petróleo é um fator preocupante, já que muitas pessoas têm reduzido seu consumo.
Várias economias, incluindo a China, têm enfrentado desafios. A produção de refino na China caiu em 3 milhões de barris por dia, resultado de uma mudança nas políticas governamentais para promover energias alternativas. De acordo com previsões, é necessário que haja um fluxo contínuo de petróleo bruto pelo estreito antes que a capacidade de refino da China aumente novamente.
Avaliando o Cenário Global
A retomada das hostilidades no Golfo Pérsico complica a situação do refino. A capacidade da região gira em torno de 11,7 milhões de barris por dia, mas a eficácia de reativação é questionável. Durante a guerra, o Irã atacou um número significativo de refinarias e não se sabe em que condições elas estarão ao serem reabertas.
Nos Estados Unidos, a situação também não é favorável. O país, que frequentemente exporta gasolina e diesel, agora se vê em dificuldades. As refinarias americanas estão focadas na produção de combustível de aviação para a Europa e diesel para a Ásia, o que limita a oferta de gasolina para o mercado interno. As dificuldades na capacidade de refino nos EUA têm sido visíveis devido ao fechamento de várias refinarias e a falta de novas instalações.
O Impacto da Rússia no Mercado de Combustíveis
A situação da Rússia intensifica a crise global. Recentemente, o país proibiu as exportações de diesel devido a bombardeios ucranianos em suas refinarias. Esse fator tem causado filas em postos de gasolina e aumentado os preços em várias regiões do país. Com a Rússia, que representa uma parte significativa da exportação global de diesel, interrompendo suas remessas, a repercussão se faz sentir em todo o mercado global.
Antes do conflito, a Rússia exportava cerca de 800.000 barris por dia de diesel, um número que representava 12% do total mundial. Essencialmente, essas interrupções têm contribuído para um aumento nos preços do diesel, que subiram 20% nas últimas semanas. Essa alta nos preços de bens essenciais indica que, mesmo com o fluxo de petróleo bruto retornando, a escassez de refinaria e a crescente demanda mantêm os valores elevados por um tempo indeterminado.
Embora o foco do mercado esteja em Hormuz, é vital prestar atenção ao que está ocorrendo na Rússia, pois a capacidade de refino global depende do equilíbrio entre oferta e demanda que agora está comprometido em várias frentes.

