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Abiec projeta aumento nos preços da carne em dois meses

Abiec projeta aumento nos preços da carne em dois meses

Com impasses comerciais com dois dos principais destinos da carne bovina brasileira, China e União Europeia, a Abiec (Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne) projeta uma redução nos preços internos da proteína a curto prazo, seguida por uma alta nas cotações ao longo do semestre. Isso levanta a questão sobre as implicações econômicas do setor diante desse cenário adverso.

O presidente da associação, Roberto Perosa, estima que o encarecimento da proteína no mercado interno deve acontecer a partir de setembro. Segundo ele, o movimento reflete a postura dos frigoríficos de reduzir a produção diante da diminuição da demanda externa. As oscilações de preços na carne, portanto, devem ser observadas com atenção.

“No primeiro momento, a carne tende a ficar mais barata. Deve haver uma diminuição da produção em um segundo momento, o que pode aumentar os preços internos. Isso porque a formação de preço no mercado interno depende da cotação externa”, explicou.

Cota Chinesa e Impactos

Na avaliação dele, após um primeiro semestre com bons resultados para o setor, a segunda metade do ano será desafiadora para o segmento, reflexo do esgotamento da cota de exportações de carne para a China. Em junho, o Brasil atingiu o volume limite de 1,106 milhão de toneladas de embarques livres de taxação extra (que pode chegar a 67%). Perosa classificou as novas tarifas como “impraticáveis” e projetou um fluxo mínimo de exportações no segundo semestre.

“Na média em junho, a China pagou 6.751,13 dólares por tonelada. Com 55% de tarifas adicionais, o preço salta para 10.464,26 dólares por tonelada”, explica o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. Essa diferença no custo pode mudar significativamente a dinâmica do mercado.

Quando questionado sobre a postura da associação diante do fim da cota, Perosa afirmou que a Abiec não fez qualquer tipo de orientação comercial para os associados. Após uma exportação recorde para o país em 2025, com 1,6 milhão de toneladas, a associação estima uma redução para cerca de 850 mil toneladas em 2026, evidenciando o impacto direto das novas tarifas.

Redução no Volume de Exportações

No lançamento do Beef Report 2026, Perosa reforçou a projeção de redução de 10% no volume geral de exportação, ante as 3,5 milhões de toneladas exportadas em 2025, puxada diretamente pela diminuição de embarques para o mercado chinês. Essa redução demanda uma reflexão sobre o modelo de negócios do setor produtivo.

“Quando estabelecem cotas que reduzem 30% da demanda, temos que repensar todo o modelo do setor. Atingimos um alto grau de produção e produtividade, mas agora o nosso maior mercado não vai demandar na mesma altura pelos próximos três anos; precisamos nos adaptar”, destacou Perosa.

Na avaliação do presidente da Abiec, outros países parceiros não conseguirão absorver o mesmo volume chinês, o que vai diminuir o valor total exportado no segundo semestre. Essa nova realidade requer inovação e estratégias de adaptação por parte da indústria. Para além da balança financeira, esse impacto se estende para o dia a dia das indústrias. Nas últimas semanas, empresas do setor começaram a fechar plantas de forma temporária e a conceder férias coletivas para mitigar o impacto financeiro do novo cenário.

Desafios com a União Europeia

Com a proibição de exportação de carnes para a União Europeia a partir de 3 de setembro, devido ao uso de promotores de crescimento antimicrobianos na produção bovina nacional, o setor também deve passar por adaptações urgentes. Este é mais um desafio que pode afetar as futuras operações do mercado de carnes.

A Abiec, em conjunto com a Abpa (Associação Brasileira de Proteína Animal), já reforçou o banimento desses produtos na cadeia produtiva, visando minimizar o impacto financeiro a longo prazo. A União Europeia representa um mercado pequeno em volume, mas de alto valor agregado e, portanto, essencial para o faturamento do setor brasileiro.

Apesar da relevância comercial e econômica, a principal preocupação das indústrias é no âmbito reputacional. “O bloco é um mercado pequeno em volume, mas com muito valor agregado, e compra cortes únicos. Além disso, eles são importantes na formulação de preços no mercado interno e na reputação internacional da proteína brasileira”, afirmou Perosa.

O setor teme que outros países parceiros sigam a postura dos europeus e passem a adotar novas barreiras fitossanitárias para importar a carne brasileira, o que poderia agravar ainda mais o cenário desafiador que se apresenta.

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