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Defesa de Flávio pede mais prazo para depoimento à PF e Lula

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou à Polícia Federal que seja concedido mais prazo para que ele possa prestar depoimento em um inquérito de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido foi encaminhado na última quinta-feira (16) ao ministro Alexandre de Moraes, que é o relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).

De acordo com um ofício assinado pelo delegado Antonio Carlos Knoll, a Polícia Federal tentou agendar a oitiva dentro do prazo de dez dias estabelecido por Moraes, em decisão de 6 de julho, mas a defesa não conseguiu indicar uma data e um horário para o depoimento.

A Polícia Federal também sugere que a oitiva seja realizada por videoconferência como uma alternativa para facilitar o agendamento, mas essa opção também não foi concretizada.

Confraternizando a situação, os advogados de Flávio pediram que novas datas para a realização do depoimento sejam disponibilizadas com antecedência razoável. Na petição, a defesa nega qualquer estratégia de atrasar a investigação e atribui a necessidade de prorrogação ao curto prazo apresentado e à agenda de pré-campanha do senador.

A defesa argumenta ainda que o adiamento não traria prejuízo ao andamento do inquérito no STF. “Cumpre registrar que a impossibilidade de realização do ato na janela ofertada não decorre de descaso para com essa Autoridade Policial. A incompatibilidade de agendas é resultado do curto período fixado e das atividades relacionadas à pré-campanha à Presidência da República”, afirmam os advogados.

Contexto do Inquérito de Calúnia

Esse inquérito investiga uma publicação feita por Flávio em sua rede social, X, no dia 3 de janeiro de 2026, após a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. Nessa publicação, Flávio afirmou que “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.

Para a Polícia Federal, ao dizer que Lula “será delatado” e listar uma série de crimes, Flávio atribuiu falsamente ao presidente condutas criminosas. O relatório da PF concludente reafirma que não há dúvidas quanto à autoria da publicação.

Ainda com a conclusão da PF, a Procuradoria Geral da República (PGR) decidiu que era necessário ouvir Flávio antes de determinar os próximos passos. Segundo a assessoria do órgão, essa diligência é fundamental, especialmente pela possibilidade de retratação legal, prevista no Código Penal para casos de calúnia e difamação.

A Importância da Retratação

No âmbito da legislação, o investigado pode se ver isento de pena se optar por se retratar antes da sentença. Quando a ofensa é veiculada em meios de comunicação, a possibilidade de retratação pode ser feita pelo mesmo canal que foi utilizado para a publicação original.

A relevância deste inquérito também está atrelada ao fato de que a manutenção da integridade das declarações de figuras públicas é de grande importância. Subestimar a gravidade das acusações e a veracidade dos dados apresentados pode resultar em consequências jurídicas sérias, tanto para o acusador quanto para o acusado.

A necessidade de detalhar a verdade por meio dos depoimentos também se estende para a esfera pública, onde a informação precisa ser clara, para que não haja confusão sobre a responsabilidade de cada um na esfera política.

Próximos Passos no Processo

À medida que se desenrola essa situação, a expectativa em torno da definição da Data do depoimento permanece. A própria defesa de Flávio defende que a proposta de prorrogação do prazo não deve ser vista como uma estratégia de obstrução, mas sim como uma necessidade prática devido à intensa rotina dele como pré-candidato.

Enquanto demais aspectos do inquérito continuam a ser avaliados pela Polícia Federal e pelo STF, o caso exemplifica a complexidade dos processos legais que envolvem figuras políticas em momentos críticos, como a pré-campanha para a Presidência da República. O acompanhamento desses desdobramentos será crucial para entender as implicações que esse inquérito poderá ter nas próximas movimentações políticas e jurídicas.

A medida em que o inquérito avança, os envolvidos e a sociedade civil continuam atentos a cada desenvolvimento, que pode resultar em mudanças na percepção pública em relação a Flávio e a outros membros da família Bolsonaro, além das repercussões em relação a Lula e seu governo.

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