Os contratos futuros da soja ganharam força nesta sexta-feira (14) na Bolsa de Chicago, apoiada pelas expectativas de demanda chinesa e pelo avanço dos preços ao longo da semana. O contrato para entrega em novembro subiu 0,87% e fechou a US$ 11,92 por bushel. Esse cenário reafirma o interesse do mercado em acompanhar de perto o desempenho da oleaginosa.
Demanda Chinesa pelo Produto
Segundo a Agrinvest, a curva da soja acumula ganhos próximos de 10 centavos de dólar por bushel na semana. O mercado acompanha a realização de um novo leilão de soja pela China, previsto para 19 de agosto, o quarto desde o fim de julho. Este leilão é um indicativo do apetite da China por soja, que busca concretizar compras significativas e estratégias de estoque.
A avaliação é de que a demanda chinesa continua presente, enquanto o país aproveita o momento para reduzir estoques e renovar a cobertura com soja norte-americana. A China se comprometeu a comprar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos por ano até 2028 e já teria adquirido cerca de 7 milhões de toneladas. Entre os derivados, óleo e farelo de soja também avançaram, acompanhando a valorização da oleaginosa.
Milho na Bolsa de Chicago
O milho encerrou a semana em alta na Bolsa de Chicago, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. O contrato para entrega em dezembro avançou 2,38%, para US$ 4,83 por bushel. Esse crescimento foi impulsionado por diversos fatores, incluindo ausências em fornecimentos e a situação tensa no Mar Negro.
Segundo a Granar, o movimento foi influenciado pelo aumento das tensões no Mar Negro, após a Rússia rejeitar propostas de cessar-fogo na região. Os ataques russos têm restringido os embarques de grãos pelos terminais marítimos da Ucrânia, o que impacta diretamente no suprimento de milho para a União Europeia e reforça as incertezas do mercado global.
Além disso, o mercado encontrou suporte nas condições climáticas adversas para as lavouras europeias. Ondas de calor e baixos volumes de chuva têm reduzido o potencial produtivo do milho em diferentes regiões da União Europeia, levando os traders a reavaliar suas previsões e estratégias de venda.
Tensões no Mercado de Trigo
O trigo terminou o dia em queda na Bolsa de Chicago, apesar do cenário de alta observado ao longo da semana. O contrato para entrega em dezembro recuou 3,18% e encerrou o pregão a US$ 6,89 por bushel. As negociações foram influenciadas pelas tensões no Mar Negro, um fator que continua a criar incertezas no setor agrícola.
Segundo a Granar, as negociações foram impactadas pela rejeição da Rússia a informações sobre um cessar-fogo na região. O mercado acompanha os impactos dos ataques na área, que atingiram regiões estratégicas para o transporte de grãos. Entre os episódios recentes está um ataque ao porto de Izmail, no rio Danúbio, além de ofensivas na região da Grande Odessa. A situação demanda cautela por parte dos exportadores, que lidam com riscos crescentes para o transporte marítimo.
A Rússia, por sua vez, acusou a Ucrânia de realizar ataques contra a navegação e afirmou que as ações teriam como objetivo aumentar as tensões e prolongar o conflito. Este cenário mantém o mercado atento aos riscos para o transporte marítimo e para o fluxo de commodities agrícolas na região do Mar Negro, um dos principais polos exportadores de trigo do mundo.
Em meio a essas tensões, o setor agrícola global observa com atenção como as dinâmicas de oferta e demanda estão se moldando devido às situações geopolíticas e climáticas. O mercado se adapta constantemente, e as estratégias de negociação estão sendo ajustadas conforme novas informações se tornam disponíveis.

