A tragédia nas cirurgias plásticas da empresária Andreia Vieira, que faleceu poucas horas após procedimentos em Goiânia (GO), gera preocupações profundas sobre a segurança e regulamentação de cirurgias estéticas. Andreia gastou um total de R$118 mil em intervenções faciais e corporais, porém, problemas surgiram logo após os procedimentos.
A irmã de Andreia, Djiane Vieira, revelou que a equipe médica não realizou uma consulta pré-operatória. Entre as cirurgias realizadas estavam ritidoplastia facial profunda, frontoplastia, blefaroplastia, mentoplastia, além de lipoaspiração e nanofat. Procedimentos complexos que, segundo relatos, foram realizados sob anestesia geral e duraram cerca de oito horas.
Como Djiane descreveu, a cirurgia começou às 7h45, mas o estado de saúde de Andreia começou a preocupar após a previsão inicial de seis horas. Ao sair do centro cirúrgico, a paciente estava com a boca imobilizada devido ao inchaço da língua. O médico havia explicado que isso era normal no pós-operatório, mas a verdadeira gravidade se tornou evidente ao longo das horas.
Problemas no Pós-Operatório e Suspeita de Negligência
Djiane relatou que, apesar do estado deteriorado de saúde de Andreia, ela não recebeu a devida atenção médica. A irmã defende que houve negligência no atendimento. O processo que a família apresentou ao Ministério Público de Goiás declara que a cirurgia foi realizada sem os devidos cuidados e análises de saúde.
Documentos apresentados pela defesa da família indicaram que Andreia tinha resultados de exames realizados na Espanha em 18 de junho, que mostraram indicativos de infecções, ou seja, a presença de anticorpos para Borrelia burgdorferi e Brucella. Esses resultados foram enviados à equipe médica dias antes da cirurgia, mas não houve investigação complementar. O cirurgião alegou que essas condições não representavam risco durante a operação.
Além disso, Andreia havia acabado de realizar uma viagem longa entre Madrid e o Brasil, fator que deveria ter sido considerado de maneira mais séria nas avaliações pré-operatórias. Djiane mencionou que Andreia e o médico apenas se reuniram pessoalmente no dia da cirurgia, pois ele foi conhecido por meio das redes sociais.
Investigação sobre a Causa da Morte
Após a morte, o corpo de Andreia foi examinado pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) de Goiânia. A representação da família questiona a atuação do cirurgião durante o exame necroscópico, já que o relatório do SVO registrou a presença de secreções e infartos pulmonares incomuns. Existe uma divergência significativa entre esses achados e a causa da morte, conforme declarada nos documentos civis.
A defesa da família pede que seja realizada uma perícia médico-legal independente para esclarecer as reais causas da morte, bem como investigar a relação entre as condições clínicas que Andreia apresentava e as complicações que surgiram no pós-operatório.
Além dos aspectos médicos, Djiane adicionou que durante o enterro, o médico mencionou a possibilidade de “devolver” parte do valor pago para a cirurgia, o que gerou ainda mais desconfiança sobre a responsabilidade dele nas complicações enfrentadas por Andreia.
Demandas da Família ao Ministério Público
A família de Andreia não está apenas buscando respostas, mas também justiça. Eles pedem ao Ministério Público a preservação de prontuários, imagens de câmeras de segurança e registros eletrônicos que possam ajudar na investigação. A situação se agrava com a falta de respostas por parte do hospital em relação a notificações anteriores. Além disso, a família requer o depoimento dos profissionais envolvidos e um exame das instalações do hospital envolvido.
Entre as informações recoletadas pela defesa, destaca-se a dificuldade que a família enfrentou para obter um retorno do SVO e do hospital sobre os registros solicitados. A representação à justiça não busca apenas compreender o que ocorreu, mas também garantir que práticas negligentes não voltem a acontecer em futuras cirurgias.
A situação de Andreia Vieira serve como um alerta sobre a necessidade de segurança e prevenção nas cirurgias plásticas, evidenciando a importância de práticas monetárias e clínicas adequadas que priorizem a segurança do paciente.

