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Leite e glúten inflamam o corpo? Esclareça suas dúvidas.

Leite e glúten inflamam o corpo? Esclareça suas dúvidas.

Vários alimentos que fazem parte da alimentação básica da população são alvos frequentes de rumores aterrorizantes sobre seu papel na saúde de cada indivíduo. Há movimentos nas redes sociais que apontam que o leite de vaca é altamente inflamatório para o corpo humano, ou que o glúten é tóxico e não deve ser ingerido em uma dieta saudável. Para a CNN Brasil, a nutricionista Ariane Brasil, do Hospital Edmundo Vasconcelos, tirou dúvidas sobre assuntos que provocam inquietações em muitas pessoas que se atentam à própria alimentação.

Leite de vaca é inflamatório?

Segundo a profissional, não é correto afirmar que o alimento por si só inflama o corpo. “Para a maioria das pessoas, ele pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. O leite é fonte de proteínas, cálcio, fósforo, potássio e vitaminas, como B2 e B12, além de vitamina D. Esses nutrientes participam, entre outras funções, da manutenção dos ossos e músculos”, aponta.

A nutricionista, no entanto, aponta que algumas pessoas podem apresentar dificuldades para digerir lactose ou possuírem até mesmo alergia ao leite, lidando com sintomas como desconforto abdominal, gases, diarreia ou outras manifestações.

Isso não significa, porém, que o leite seja inflamatório para toda a população”, declara. Ela ainda chama atenção para a quantidade de leite que é consumida, já que o alimento, em sua versão integral, possui gordura saturada e muitas calorias.

Refrigerante zero e seu impacto na saúde

Em 2023, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classificou o aspartame como “possivelmente carcinogênico”, com base em evidências limitadas, segundo informa Ariane Brasil.

“Essa classificação indica um possível perigo, mas não significa que o consumo habitual da substância, dentro dos limites recomendados, provoque câncer. No mesmo período, o comitê de especialistas da FAO/OMS (JECFA) manteve a ingestão diária aceitável em até 40 mg de aspartame por quilo de peso corporal”, explica a nutricionista.

A bebida, inclusive, pode ser inserida em uma dieta de emagrecimento, mas não deve ser substituta da água ou de outras opções que oferecem nutrientes reais.

Água e retenção de líquidos

Consumir água não provoca ganho de gordura e, em condições normais, não faz o corpo reter líquido. “Pelo contrário: uma hidratação adequada é importante para o funcionamento dos rins e para o equilíbrio dos líquidos do organismo”, explica Ariane.

“É possível perceber um aumento momentâneo do peso ou uma sensação de estufamento depois de beber uma grande quantidade de água de uma vez, simplesmente porque existe mais líquido dentro do organismo naquele momento. Isso é diferente de retenção de líquidos”, segue.

A profissional avalia que o inchaço persistente deve ser investigado por um profissional, já que pode estar relacionado a alterações hormonais, consumo elevado de sódio, determinados medicamentos ou algumas doenças.

Glúten e suas implicações na saúde

O caso é semelhante ao que acontece com o leite. Pessoas podem apresentar dificuldade de digerir esse tipo de proteína, principalmente se possuírem doença celíaca, alergia ao trigo ou algum tipo de sensibilidade ao glúten.

“Na doença celíaca, o consumo de glúten desencadeia uma resposta imunológica que pode lesionar o intestino delgado. Por isso, essas pessoas precisam retirar completamente o glúten da alimentação. Já a sensibilidade ao glúten não celíaca pode provocar sintomas, mas não causa o mesmo dano intestinal observado na doença celíaca”, explica Brasil.

A nutricionista ainda aponta que produtos “sem glúten” não devem ser associados a algo que seja mais saudável ou emagrecedor, já que podem possuir quantidades consideráveis de açúcar, gordura e calorias.

Congelamento e a preservação de nutrientes

A resposta é: não. Segundo Ariane, congelar um alimento fresco pode preservar sua qualidade nutricional por mais tempo. As perdas nutricionais acontecem em outras etapas, como o armazenamento prolongado, exposição ao calor, contato com água e determinados métodos de preparo.

“No caso dos vegetais, por exemplo, o branqueamento, que é uma rápida passagem por água quente antes do congelamento, pode provocar alguma perda de nutrientes, mas é utilizado para preservar qualidade, cor e textura durante o congelamento”, declara a profissional.

É importante, porém, se atentar aos ciclos repetidos de descongelamento e recongelamento.

Os mitos dos sucos “detox”

Não é possível afirmar que o suco “detox” consiga eliminar toxinas acumuladas no corpo. O próprio organismo se encarrega de fazer essa função, com órgãos como o fígado e os rins. O fato de preparar um suco com frutas, verduras e outros alimentos não é algo ruim. “Dependendo dos ingredientes, ele pode fornecer vitaminas, minerais e compostos bioativos. A questão está em atribuir ao suco uma capacidade de ‘limpar’ o organismo ou compensar uma alimentação desequilibrada”, explica Ariane.

A especialista, entretanto, reforça que não existe alimento ou bebida que faça “faxina” no organismo. “Uma alimentação variada, adequada em fibras e nutrientes, hidratação, atividade física, sono e consumo moderado de álcool são muito mais relevantes para a saúde metabólica do que qualquer outro protocolo”, conclui.

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