A Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) tem muito trabalho pela frente, e o tema deste ano é “Restaurar a confiança, gerir a transformação: Uma ONU que entrega para todos.” Este evento não só marcará a conclusão do mandato do português António Guterres como secretário-geral, mas também ocorrerá em meio a crescentes preocupações sobre a inteligência artificial e seu impacto global.
No dia 22, o “debate geral” da AGNU começará, reunindo líderes e autoridades que discursarão a partir do icônico púlpito da organização. Este ano a assembleia promete ser uma plataforma para discussão de questões críticas que afetam a comunidade internacional.
Expectativas e Negociações
A alta concentração de diplomatas e líderes mundiais torna a AGNU um ambiente propício para reuniões paralelas ao evento principal. Espera-se que Trump, na terça-feira, encontre líderes dos estados árabes do Golfo Pérsico para discutir a guerra com o Irã. Funcionários americanos adiantaram que haverá um breve encontro sobre o Conselho da Paz de Trump durante a semana, uma proposta que até mesmo ele considerou como uma alternativa à ONU.
Entre os líderes que buscam ampliar suas relações, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se reunirá com Trump, assim como fez no último ano. Nos dias que se seguem, há esperança de avanços nas conversas para encontrar uma solução pacífica, numa época em que a tensão global é palpável.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, também está programado para uma reunião com o secretário de Estado dos EUA. No campo dos acordos, espera-se que Trump assine um tratado significativo referente à segurança da Groenlândia, completando um ciclo que começou com conversas controversas sobre a anexação.
A Lista de Discursos da Assembleia
Os discursos na Assembleia Geral frequentemente atraem a atenção do público, tanto pela qualidade retórica quanto pelas reações da plateia. No passado, já houve momentos em que delegados deixaram o auditório em meio a discursos polêmicos. Este ano, a diversidade de oradores pode influenciar a percepção global sobre a ONU e suas missões.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva será o primeiro a discursar na terça-feira. Sua presença é vista como um sinal de compromisso com a diplomacia e a cooperação internacional. Por outro lado, Netanyahu também deve discursar na quinta-feira, o que promete ser um momento controverso.
Vale destacar a situação da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Espera-se que seu discurso na quinta-feira ocorra em meio ao arresto do ex-chefe Nicolás Maduro. Isso coloca um foco extra na relação entre o governo venezuelano e a administração Trump, que negou vistos a várias figuras palestinas, mas permitirá a presença de uma delegação iraniana.
Despedidas e Futuros Desafios
Este ano marca o fim de mandatos significativos, incluindo o de António Guterres. O atual secretário-geral se posicionou como um defensor das mudanças climáticas e da inteligência artificial, um tema que promete ser central nas discussões subsequentes à assembleia.
A urgência do tema da inteligência artificial está relacionada a alertas sobre seus possíveis riscos. Guterres enfatizou a importância de discutir as direções estratégicas necessárias para acompanhar essa tecnologia em rápido desenvolvimento, o que pode influenciar fortemente a agenda global nos anos vindouros.
A Assembleia também se destaca no plano financeiro. A ONU entrou em um ano mais sólido em termos orçamentários, depois de períodos de incerteza financeira. No entanto, mesmo com um aumento de contribuições por parte dos EUA, questionamentos sobre a relevância da ONU continuam a surgir. Trump, em sua última assembleia, reiterou que existem grandes dúvidas sobre o propósito real da organização.
De forma geral, a Assembleia Geral da ONU deste ano não apenas reunirá líderes mundiais para debater o futuro, mas também servirá como um termômetro das relações internacionais em um mundo que enfrenta desafios complexos. Com discursos marcantes e negociações à vista, o evento certamente moldará o cenário político global que se seguirá.
