Fora da Superliga, Tiffany critica a proibição da CBV

Fora da Superliga, Tiffany critica a proibição da CBV

Tiffany Abreu, uma das principais opostas do Osasco, enfrenta um momento desafiador na sua carreira devido a uma nova política da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que foi divulgada em agosto. Proibida de participar da Superliga Feminina, ela expressou sua insatisfação durante o lançamento do torneio em São Paulo, na última quinta-feira (1º), e afirmou que se sente injustamente tratada, comparando-se a uma “bandida”.

A atleta, que já tem se destacado no esporte, enfatizou que a sua proibição é um duro golpe em sua trajetória. Em um relato emocionante, Tiffany revelou que apesar da decisão, mantém um contato diário com a CBV e se manterá firme na luta pela sua liberação. “A gente foi pego de surpresa. Isso machucou bastante”, desabafou, destacando a falta de comunicação da entidade.

A rotina de treinos de Tiffany se tornou ainda mais complexa, já que ela precisa equilibrar seu foco nos treinos enquanto luta pela sua inclusão nas competições. “É um momento muito difícil. (…) E aí a gente recebe uma notícia dessa… como se eu fosse uma bandida. Eu não sou uma bandida. Eu sou uma atleta que inspira muitas pessoas e mereço estar jogando, dentro das quadras, onde é meu lugar”, afirmou, trazendo à tona seu desejo de permanecer ativa no esporte.

Críticas e falta de empatia na decisão da CBV

No seu desabafo, Tiffany não escondeu a profunda insatisfação com a postura da CBV, expressando sua sensação de desprezo em vez de raiva. “Sinto um desprezo…. sinto uma falta de empatia muito grande”, disse. Além disso, a atleta criticou o que chamou de “política transfóbica” da CBV, uma medida que, segundo ela, não facilita a inclusão no esporte.

Em suas palavras, Tiffany enfatizou que “faltou muita empatia com o ser humano, com a atleta, com o clube e com as pessoas que se inspiram em mim no esporte”. Sua visão é de que as novas regras deveriam ter o objetivo de abrir portas e criar oportunidades ao invés de fomentar a exclusão, afirmando que “o esporte não poderia ser político e está sendo político no momento”.

A nova política da CBV e suas implicações

A nova política para atletas trans, implementada pela CBV, foi elaborada em março de 2026 e começou a vigorar a partir de 2 de setembro. Esta decisão tem um impacto significativo em diversas competições da CBV, incluindo Superliga A e B 26/27, Supercopa 2026 e Copa Brasil 2027. De acordo com Radamés Lattari, presidente da CBV, essa mudança visa alinhar as normas nacionais aos padrões internacionais já em uso pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

As novas regras que afetam a participação de atletas trans no vôlei geraram muito debate e polêmica. Muitos defendem que esse tipo de legislação pode resultar em uma exclusão injusta dentro do esporte, enquanto outros acreditam que é uma necessidade de conformidade com os padrões internacionais.

O futuro da atleta e do vôlei feminino

Enquanto Tiffany Abreu se prepara para a luta por sua liberação, o futuro do vôlei feminino e a presença de atletas trans no Brasil continuam a ser temas de grande relevância. A coragem de Tiffany em se posicionar contra a decisão da CBV já começa a inspirar outras atletas e pessoas dentro do esporte.

À medida que a situação se desenrola, é importante que as vozes das atletas sejam ouvidas e que existam diálogos construtivos entre as organizações esportivas e os atletas. A luta pela inclusão no esporte deve ser uma prioridade, e as decisões devem ser tomadas levando em consideração não apenas as normas, mas também a humanidade por trás de cada atleta.

Independentemente do resultado final, a determinação de Tiffany em continuar lutando por seu espaço nos courts serve como um poderoso lembrete sobre a importância da empatia e da inclusão dentro do esporte.