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Operação Vazante: Âmbar leva 1.350 toneladas de materiais elétricos aos 61 municípios do Amazonas antes da seca

Balsa com carga coberta navegando no rio Juruá, no interior do Amazonas

Balsa de carga no rio Juruá | Foto: Marcelo CASTRO (CC BY 3.0, via Wikimedia Commons)

A Âmbar Energia, que assumiu a distribuição de energia elétrica no Amazonas em abril de 2026, mobilizou cerca de 1.350 toneladas de postes, transformadores, cabos, cruzetas e peças de reposição para o interior do Estado. O material chegou aos 61 municípios e às nove calhas de rios amazonenses dentro da chamada Operação Vazante, iniciada em maio, antes do período mais crítico da estiagem.

A ação faz parte de um esforço maior da concessionária para recuperar a qualidade do serviço, que registrou índices desastrosos na época da Amazonas Energia, antiga distribuidora, durante a gestão de Orsine Rufino de Oliveira. A estratégia combina logística antecipada, reforço da rede, geração de energia mais perto do consumidor e novas tecnologias.

Corrida contra a descida dos rios

No Amazonas, a seca muda o mapa do transporte. Quando o nível das águas cai, a navegação fica mais difícil, alguns portos deixam de receber embarcações e as cargas precisam de rotas alternativas. Por isso o material foi enviado com antecedência: segundo a empresa, uma balsa saiu de Manaus em 30 de maio rumo aos municípios das calhas dos rios Juruá e Japurá, e mais de 15 viagens de balsas e ferry boats foram feitas.

Equipes monitoram todos os dias o nível dos rios e as condições de acesso aos portos para adiantar remessas ou mudar de rota quando necessário. A concessionária diz ter mobilizado centenas de profissionais, entre eletricistas, técnicos, engenheiros e trabalhadores do transporte fluvial, e ter combinado medidas preventivas com a Defesa Civil do Amazonas.

Um Estado que depende de barco

Com mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados e dezenas de cidades distantes da capital, o Amazonas exige que equipamentos, combustível e equipes cheguem a lugares muitas vezes acessíveis apenas pelos rios. Boa parte do interior ainda não está ligada ao Sistema Interligado Nacional e depende de usinas locais, abastecidas com combustível que também viaja de barco.

A interligação de Parintins à rede nacional, em 2023, mostra o peso dessas obras: a usina térmica a diesel que atendia o município pôde ser desligada. Onde a conexão ainda não chegou, manter o abastecimento continua sendo parte do funcionamento diário do sistema.

Obras, prefeituras e geração local

Além do transporte, a Âmbar aposta no reforço da infraestrutura. Em Humaitá, um plano acompanhado pela Defensoria Pública prevê a troca de 39 postes e 262 cruzetas, o reforço de 34 quilômetros de rede, a limpeza da vegetação perto da fiação e uma equipe maior para o atendimento rural.

A empresa informa ter se reunido com 38 prefeitos e assinado 20 acordos com municípios para identificar problemas locais e planejar intervenções. Em Manacapuru, instalou uma termelétrica de 5 MW para reforçar o fornecimento no horário de pico, quando cerca de 10% da população poderia enfrentar cortes diários entre 18h e 23h.

Em 2024, antes de assumir a distribuição, a Âmbar comprou da Eletrobras usinas termelétricas dos sistemas isolados, com unidades em Anamã, Anori, Caapiranga e Codajás. Também estão previstas soluções híbridas, com térmicas, energia solar e baterias, para 23 comunidades.

Investimento de R$ 5,5 bilhões

O plano anunciado prevê R$ 5,5 bilhões em investimentos na distribuição até 2031, sendo R$ 3,9 bilhões de recursos próprios. Estão incluídas a expansão e a revitalização da rede, novas subestações e ampliações, a retomada de obras do Luz para Todos, a troca de equipamentos e sistemas de monitoramento da chamada Energia 4.0, com medidores inteligentes, sensores e automação para localizar falhas à distância.

A digitalização também deve ajudar contra as perdas não técnicas. A Âmbar estima que cerca de 44% da energia injetada na rede não seja faturada, principalmente por desvios e ligações clandestinas. O número é uma estimativa da própria companhia e não equivale automaticamente aos indicadores regulatórios de perdas usados pela ANEEL.

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