Os contratos futuros de café arábica registraram alta na sessão do dia 14 de outubro, refletindo preocupações com a oferta global. O contrato para entrega em dezembro subiu 1,83%, a US$ 2,98 por libra-peso. Essa variação é influenciada pela redução da produção na Colômbia e os impactos esperados do fenômeno climático El Niño.
Impacto da Produção Colombiana
A Colômbia, que é o segundo maior produtor mundial de café arábica, viu sua produção cair 15% na safra 2025/26, de acordo com dados divulgados pela Federação Nacional dos Cafeicultores. Essa queda representa uma redução para 12,65 milhões de sacas, enquanto as exportações diminuíram 12%, totalizando 11,78 milhões de sacas. Essa baixa na produção colabora para o aumento das cotações internacionais.
A atenção dos investidores se volta para a possibilidade do El Niño afetar também a safra brasileira. Especialistas da empresa de comercialização de café Commercial alertam que o fenômeno pode atrasar as chuvas no Brasil, crucial para a floração dos cafezais. Se as precipitações forem inadequadas no período correto, o desenvolvimento das lavouras pode ser afetado, gerando consequências na safra 2026/27.
Preços do Cacau em Alta
Outra commodity em foco é o cacau, que está em trajetória positiva devido à expectativa de maior demanda e aos problemas climáticos na África Ocidental. Na Bolsa de Nova York, as cotações atingiram o maior nível em um mês, com o contrato futuro do cacau para entrega em dezembro encerrando em US$ 5.735 por tonelada. Há uma crescente no processamento da amêndoa, que foi reportada em 47% no terceiro trimestre, em comparação ao ano anterior.
Embora os dados de processamento global do cacau sejam divulgados em breve, as expectativas indicam crescimento na Ásia e estabilidade na América do Norte, o que é percebido pelos investidores como um sinal positivo para a demanda. No entanto, a valorização do dólar, que atingiu o pico em um ano e meio, pode limitar os ganhos dessa commodity.
A situação climática na Costa do Marfim, onde chuvas intensas dificultam o acesso às plantações, também é uma preocupação. O acesso restrito ao campo e os bloqueios de estradas causados por danos logísticos podem atrasar as entregas ao mercado internacional.
Mercado de Açúcar sob Pressões
Os contratos futuros do açúcar, por outro lado, fecharam em queda na Bolsa de Nova York, com o contrato para março apresentando desvalorização de 1,28%. Este movimento de baixa foi resultado do fortalecimento do dólar e da liquidação de posições compradas por investidores. O índice do dólar atingiu sua máxima em um ano e meio, resultando em uma maior pressão sobre os preços do açúcar.
Os fundos de commodities, com altos posicionamentos no mercado de açúcar, têm contribuído para o aumento da pressão vendedora. As vendas de posições podem intensificar as perdas nos preços internacionais do açúcar.
Outras Commodities em Destaque
O contrato futuro do suco de laranja para novembro encerrou a sessão em alta de 0,42%, a US$ 1,42 por libra-peso, enquanto os contratos de algodão tiveram uma leve valorização de 0,19%, cotados a 80,66 centavos de dólar por libra-peso. O relatório semanal de acompanhamento das lavouras nos Estados Unidos mostrou progresso na colheita de algodão, com 82% da safra já passando por floração.
No Texas, onde se concentra a produção de algodão, 38% da área já estava colhida, superando a média histórica. Essa informação contribui para a estabilidade nas cotações e demonstra um clima de expectativa positiva no setor.
Por fim, o cenário das commodities, incluindo café arábica, cacau, açúcar, suco de laranja e algodão, é marcado por fatores climáticos e dinâmicas de mercado regionais, que afetam diretamente os preços e a produção. As tensões geopolíticas e as condições climáticas continuarão a influenciar essas cotações no cenário global.

