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Yara tem lucro líquido de US$ 199 milhões no 3º tri, queda significativa

A fabricante norueguesa de fertilizantes Yara registrou lucro líquido de US$ 199 milhões no terceiro trimestre, o que representa uma queda de 37,8% em relação aos US$ 320 milhões apurados no mesmo período do ano passado. Esse resultado é reflexo, entre outros fatores, do aumento dos custos do gás natural na Europa e da redução das entregas de fertilizantes. A receita líquida, por outro lado, cresceu 9,3% na comparação anual, alcançando US$ 4,48 bilhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 9,5%, passando de US$ 770 milhões para US$ 697 milhões. Segundo a companhia, os custos elevados do gás na Europa e o menor volume de entregas superaram os efeitos positivos dos preços mais altos do nitrogênio. A produção de produtos acabados ficou 8% abaixo do que foi registrado um ano antes, devido a paradas operacionais não programadas e manutenções planejadas.

No acumulado de janeiro a setembro, a Yara registrou lucro líquido de US$ 1,07 bilhão, com alta de 3,9% em relação aos US$ 1,03 bilhão do mesmo intervalo de 2025. As receitas avançaram 12,5%, de US$ 11,7 bilhões para US$ 13,16 bilhões, enquanto o Ebitda aumentou 34,3%, totalizando US$ 2,66 bilhões.

Resultados e Desafios nas Entregas de Fertilizantes

As entregas globais de fertilizantes da Yara caíram 3,3% no terceiro trimestre, diminuindo de 6 milhões de toneladas para 5,8 milhões. No acumulado dos nove primeiros meses, o volume recuou 6,1%, de 18 milhões para 16,9 milhões de toneladas. Além disso, a produção de fertilizantes também apresentou redução, com 4,89 milhões de toneladas produzidas no terceiro trimestre, o que representa uma queda de 7,7%.

No Brasil, as entregas somaram 1,84 milhão de toneladas no terceiro trimestre, uma diminuição de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do ano, o volume chegou a 4,22 milhões de toneladas, com uma redução de 1,4% em comparação ao ano anterior.

A produção de fertilizantes NPK, que combinam nitrogênio, fósforo e potássio, e são os mais utilizados na agricultura, caiu 9,4% no trimestre, passando de 1,75 milhão para 1,585 milhão de toneladas. Nos nove primeiros meses, a produção recuou 4,1%, totalizando 4,63 milhões de toneladas.

Contrariamente, a produção de SSP (superfosfato simples) apresentou alta. O volume aumentou de 24 mil toneladas no terceiro trimestre de 2025 para 35 mil toneladas no mesmo período deste ano, totalizando um crescimento de 45,8%. No acumulado de janeiro a setembro, a produção também cresceu, saltando de 94 mil para 157 mil toneladas, representando um avanço de 67%.

Desempenho Financeiro e Perdas Cambiais

No resultado financeiro trimestral, a Yara registrou perdas cambiais líquidas de US$ 64 milhões, em comparação a um ganho de US$ 14 milhões no ano anterior. A valorização da coroa norueguesa em relação ao euro gerou perdas em posições de financiamento interno, que foram parcialmente compensadas por ganhos relacionados à dívida denominada em dólares.

O Ebitda das operações nas Américas, excluindo itens especiais, somou US$ 155 milhões no terceiro trimestre, uma queda de 38% em relação ao mesmo período de 2025. A companhia atribui esse resultado à redução das margens comerciais no Brasil e ao menor volume de entregas. No acumulado dos nove primeiros meses, o Ebitda das Américas registrou US$ 593 milhões, um recuo de 8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Embora as entregas globais tenham sido impactadas pela menor demanda e por paradas programadas de manutenção em diversas regiões, na Europa a Yara identificou uma recuperação das entregas de produtos premium ao final do trimestre.

Perspectivas e Ajustes Operacionais

A Yara informou que reduziu a produção europeia em resposta aos altos preços do gás natural, restringindo 150 mil toneladas de produção de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados apenas no terceiro trimestre. No dia 16 de outubro, os cortes de produção estavam em um total de 270 mil toneladas de amônia por trimestre, além de 140 mil toneladas de produtos acabados.

A empresa usa a flexibilidade de sua estrutura produtiva para ajustar os volumes com base nos custos e nas margens de cada produto. A Yara estima que pode reduzir anualmente até 1 milhão de toneladas da capacidade europeia de produção de amônia sem afetar a fabricação de produtos acabados.

No mercado internacional, a comercialização de fertilizantes nitrogenados começou a nova temporada de forma lenta. A incerteza relacionada ao conflito no Oriente Médio e as exportações chinesas levaram os compradores a adiar decisões no início do terceiro trimestre. Contudo, a companhia observou uma recuperação das compras na Europa no final do período, encerrando o trimestre com uma carteira de pedidos acima da média para esta época do ano.

A Yara continua a implementar um programa de melhoria de resultados, prevendo adicionar US$ 200 milhões ao Ebitda até o final de 2027 e mais US$ 150 milhões até o final de 2030, por meio de diversas iniciativas como maior utilização dos ativos industriais e otimização logística.

Recentemente, a companhia anunciou a aquisição de uma fábrica de amônia na Costa do Golfo dos EUA, buscando diversificar sua exposição aos custos de energia e ampliar sua capacidade de produção competitiva. A Yara espera concluir essa transação até o final de 2026.

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