O Tribunal Revolucionário do Irã condenou o premiado diretor de cinema Jafar Panahi, 66, a cinco anos de prisão e determinou a apreensão de todos os seus bens. A informação é da agência semioficial iraniana Nournews, citando seu advogado, mas sem mencionar as acusações que pesavam contra ele.
Conforme noticiado pela Reuters, o tribunal também proibiu Panahi de sair do país por dois anos e de qualquer atividade nas redes sociais, segundo a reportagem. O advogado de Panahi, Mostafa Nili, não pôde ser contatado imediatamente para comentar o caso.
Panahi, cujo filme “Foi Apenas um Acidente” ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2025, já foi preso várias vezes no passado por causa de seus trabalhos cinematográficos.
Panahi e sua luta pela liberdade de expressão
Apesar de ter sido condenado à pena de um ano de prisão à revelia em 2025 por atividades de propaganda contra o regime, Panahi retornou ao país em março. Sua história ilustra a constante luta de artistas e cineastas iranianos pela liberdade de expressão em um ambiente cada vez mais repressivo.
Famoso por sua crítica à sociedade iraniana, Panahi utiliza sua arte para dar voz a temas de injustiça e opressão. O impacto de suas obras transcende fronteiras, e seu trabalho continua a inspirar cineastas e ativistas ao redor do mundo, mesmo sob ameaças e condenações.
Apoio de colegas e a resiliência artística
Em meio a essa adversidade, o apoio internacional tem sido fundamental. O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho prestou solidariedade a Panahi, compartilhando fotos e mensagens de apoio nas redes sociais. “Meu querido Jafar. Um forte abraço e saudades do seu amigo Kleber. Que essa injustiça seja reparada o mais rápido possível,” disse em sua legenda.
Esse tipo de apoio é crucial para a visibilidade da situação de Panahi e de muitos outros artistas que enfrentam a repressão. O reconhecimento pela comunidade cinematográfica é vital para manter a pressão sobre os governos autoritários.
O legado de Jafar Panahi no cinema iraniano
Antes de vencer no ano passado, Panahi esteve no Festival de Cannes pela última vez em 2021, na exibição de seu documentário “O Ano da Tempestade Eterna”. Em 2018, ele saiu com o prêmio de Melhor Roteiro do evento para seu filme “3 Faces”. Suas obras são frequentemente aclamadas por criticar a realidade do Irã enquanto exploram a condição humana.
Panahi é conhecido como um dos maiores diretores vivos do cinema iraniano, realizando filmes marcantes como “O Círculo” (2000), “Fora do Jogo” (2006), “Isto Não É um Filme” (2011), “Taxi Teerã” (2015) e “Sem Ursos” (2022) — o último, vencedor do Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema de Veneza de 2022.
A qualidade de suas produções e sua coragem em abordar questões sensíveis em um regime repressivo solidificam sua posição como um ícone do cinema. A narrativa de sua vida e obra é uma demonstração da resiliência da arte diante da opressão.
O caminho de Panahi é um exemplo poderoso de como o cinema pode desafiar normas sociais e políticas. O apoio contínuo e a visibilidade são fundamentais para a liberdade de expressão e para que vozes como a dele nunca sejam silenciadas.
*Com informações de Emily Giles, da Reuters, e Giovana Christ, da CNN Brasil

