Além da conexão com o tricampeão mundial de Fórmula 1, este carro simboliza uma era crucial da indústria automobilística japonesa. Lançado no início dos anos 1990, o NSX foi projetado para competir com esportivos de marca como Ferrari e Porsche, mesmo permitindo o uso diário. Sua engenhosa combinação de motor central, estrutura de alumínio e inovações tecnológicas garantiu uma reputação notável no mundo dos automóveis esportivos.
Detalhes do Honda NSX de Ayrton Senna
O modelo leiloado, que foi utilizado por Senna, vem equipado com o motor Honda C30A, um V6 de 3,0 litros aspirado, instalado transversalmente atrás dos bancos e à frente do eixo traseiro. Em sua configuração europeia, este motor entrega 274 cv e 29 kgfm de torque. A transmissão é manual de cinco marchas, responsável pela entrega de potência às rodas traseiras.
A velocidade máxima do NSX atinge 265 km/h. O sistema mecânico foi projetado com foco na resposta progressiva e aproveitamento da faixa de rotações, associando-se à tecnologia VTEC, que é o sistema de variação de válvulas desenvolvido pela Honda.
Uma das grandes inovações do NSX foi sua construção. Foi o primeiro carro de produção em série a adotar uma estrutura monocoque de alumínio, o que reduziu seu peso sem comprometer a rigidez necessária para um veículo esportivo. O peso em ordem de marcha dos modelos de 1991 girava em torno de 1.365 kg.
O papel de Ayrton Senna no projeto
O desenvolvimento do NSX iniciou-se em 1985, sob a liderança do engenheiro Shigeru Uehara. O design da carroceria foi inspirado na cabine do caça F-16, com o intuito de posicionar o motorista de forma mais avançada e aumentar a visibilidade.
Em 1989, Senna participou da avaliação dinâmica do protótipo no Japão. Durante os testes no circuito de Suzuka, ele sentiu que a estrutura necessitava de mais rigidez. Sua observação resultou em um reforço significativo na estrutura, aumentando em 50% a rigidez do monobloco, além de ajustes na suspensão.
A produção do modelo começou em 1990 em uma fábrica especializada em Tochigi, Japão. A montagem era predominantemente manual e limitada a cerca de 25 unidades por dia. A demanda inicial foi alta, gerando esperançosas filas de até três anos em alguns mercados.
O chassi T000233 fazia parte de uma oferta de três NSX disponibilizados pela Honda ao piloto. Os outros dois modelos também eram pretos. O carro leiloado foi importado para a Honda Automobil de Portugal, registrado em 22 de março de 1991, com a placa SX-25-59, e passava a maior parte do tempo com Senna quando ele estava em território português.
Durante a temporada de 1991, o piloto utilizou o NSX para ir ao circuito de Estoril, onde participou do Grande Prêmio de Portugal, largando em terceiro e finalizando em segundo lugar. O carro também foi apresentado no documentário “Ayrton Senna: Racing Is in My Blood” de 1992, em que o piloto é visto acelerando e causando a perda de aderência nas rodas traseiras. Uma cena icônica mostra Senna lavando a carroceria do carro com uma mangueira.
Após o falecimento do piloto em 1994, o veículo permaneceu em Portugal, mudando de propriedade diversas vezes. Registrado em Lisboa em fevereiro de 1995, o NSX passou pela concessionária Nipomotor em 1997, foi adquirido por um empresário do Algarve em 2009, e, em 2013, teve seu destino alterado para o Reino Unido, onde foi registrado para circulação em 2016. No ano de 2019, o carro participou de uma homenagem a Senna em Ímola, na Itália. Em 2024, foi comprado por um proprietário japonês e levado de volta ao Reino Unido para o leilão.

