Custo da dívida brasileira é maior do que outros países em 2023

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou em entrevista ao Hora H na última quinta-feira (21) a questão dos juros no Brasil, afirmando que os mesmos não são “civilizados”. Lucinda Pinto, analista de Economia da CNN, fez comentários sobre a disparidade das taxas de juros brasileiras em relação a outros países, destacando os impactos que isso gera na economia nacional.

Juros e o custo da dívida brasileira

Na entrevista, Durigan destacou que os juros não correspondem a uma realidade civilizada. “É algo que me incomoda ver nossa dívida rolando nesses patamares”, afirmou. Ele argumentou que a alta taxa de juros no Brasil possui várias explicações, não devendo ser atribuída exclusivamente aos níveis de gastos do governo. “Essa é uma explicação simplista, frequentemente usada por economistas que se opõem ao governo”, disse Durigan.

Enquanto isso, Lucinda Pinto ressaltou que o ministro parece evitar discutir o impacto dos gastos adicionais do governo sobre a inflação e, consequentemente, sobre a taxa de juros. Em sua opinião, as medidas de estímulo econômico adotadas ao longo deste ano, que somam entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões, repercutem diretamente no preço dos produtos e serviços e, em última análise, nas taxas de juros.

Impacto da inflação e crescimento econômico

Pinto apresentou dados da XP, que indicam que esse gasto adicional pode impactar o PIB em até 1,4 ponto percentual. Este crescimento econômico, segundo ela, pode gerar inflação. A analista afirmou: “Crescimento econômico e consumo adicional levam a inflação, o que indiretamente exerce pressão sobre a taxa de juros”. Além disso, ela destacou que a alta dos juros se transforma em um ciclo vicioso, onde juros mais altos encarecem o custo da dívida que é rolada pelo governo regularmente.

Lucinda também argumentou que o custo da dívida brasileira é desproporcional em relação a outros países, contradizendo Durigan, que sugeriu que a situação fiscal de outras nações, tanto emergentes quanto desenvolvidas, é igualmente crítica. A analista reafirmou: “O custo da nossa dívida, devido à taxa de juros, é maior do que o de nações que enfrentam desafios semelhantes”.

Fatores externos e autonomia do Banco Central

Neste contexto, Durigan apontou o conflito internacional como um dos fatores que impactam a inflação atual, algo com que Pinto concordou em parte. Ela acrescentou, no entanto, que outros fatores também devem ser considerados. Segundo ela, os esforços do governo para mitigar o impacto da alta dos combustíveis também têm gerado inflação, o que representa um paradoxo que ainda precisa ser esclarecido.

Em uma nova seção da entrevista, o ministro falou sobre a importância da autonomia do Banco Central. Ele expressou apoio à ideia, mas se mostrou cauteloso em relação a algumas propostas de emenda à Constituição (PEC) que estão sendo deliberadas na Comissão de Constituição e Justiça. “Há espaço para fortalecer a autonomia financeira do BC, mas o último texto apresentado apresenta alguns problemas, na minha opinião”, afirmou.

Pinto, por sua vez, destacou a urgência da discussão em torno da autonomia do Banco Central. De acordo com ela, a instituição enfrenta déficits em recurso humano e em investimentos em tecnologia, como inteligência artificial, que são essenciais para supervisionar um sistema financeiro cada vez mais complexo e dinâmico. Ela concluiu: “Realmente, o Banco Central precisa ser fortalecido para lidar com os desafios atuais”.

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