Justiça aceita denúncia contra diarista por morte de idosos

Justiça aceita denúncia contra diarista por morte de idosos

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais aceitou, na sexta-feira (31), a denúncia contra a diarista Paola Stefany Neto Cirino por latrocínio, roubo seguido de morte, pelo assassinato do advogado Cláudio Atala, de 75 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Atala, de 76.

De acordo com informações da Itatiaia, a Justiça também aceitou a denúncia contra a diarista por adulteração de provas, por ter manipulado a cena do crime para dificultar a perícia e por uso fraudulento de cartões bancários das vítimas.

Segundo as investigações, Paola já planejava o crime e tinha histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a resistência das vítimas – método também utilizado contra os idosos. Paola foi presa em flagrante dois dias depois do episódio e confessou ter matado o casal.

O crime ocorreu no dia 29 de junho no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Para a Justiça, o crime tem como agravantes de uso de meio cruel, com uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e pelo crime ter sido praticado contra pessoas idosas.

Além dela, outras quatro pessoas foram indiciadas por receptação qualificada, por adquirirem os bens roubados das vítimas. Segundo a Polícia, o quarteto foi voluntariamente à delegacia, acompanhados de seus advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens.

O comerciante acusado de auxiliar na fraude dos cartões de crédito das vítimas também se tornou réu na ação penal. De acordo com as investigações, ele teria deixado Paola usar os cartões roubados nos equipamentos de seu restaurante.

O Ministério Público aponta na denúncia que os dois teriam dividido proporcionalmente os valores obtidos.

Sobre os outros três indiciados que podem ter adquirido bens roubados, o TJMG decidiu pelo desmembramento do caso. Na decisão, é deferido que sejam feitos três autos de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).

A Justiça ainda determinou o prosseguimento da investigação contra o primo da vítima, Maria Clotilde, que indicou os serviços da diarista ao casal.

Segundo as investigações, Paola ligou para o primo de Maria e informou que a idosa estava “passando mal”, mas ele não fez nada a respeito.

Entenda o caso

Cláudio e Maria foram encontrados mortos, no último dia 30 de junho, com mais de 50 facadas.

O casal foi localizado pelo filho, que acionou a polícia. No local, agentes encontraram uma gaveta violada no quarto do casal, além da subtração de telefones e de diversos bens.

Apesar da morte, não havia indícios de violação da porta da residência, direcionando a suspeita de pessoas que conheciam o imóvel. Os levantamentos indicaram Paola, que trabalhava como diarista, como suspeita do crime.

Ela foi encontrada em outra cidade de Minas Gerais. Levantamentos realizados apontavam que a mulher pretendia fugir para o estado do Rio Grande do Sul.

Durante a ação, os policiais arrecadaram, entre outros materiais, R$ 18,8 mil, celulares, joias, semijoias, embalagens de relógios e joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo em posse da investigada.

Ao ser questionada sobre a motivação do crime, Paola alega ter ouvido vozes que a instruíram, afirmando ter destruído a própria vida e de outras pessoas. A mulher afirma que, após roubar o casal, “não estava satisfeita” e teve que matá-los.

Dívida e roubos frequentes

Ainda em depoimento, Paola assumiu ter se endividado com jogos de azar na internet, o que a levou a fazer um empréstimo, em valor aproximado de R$ 40 mil, com agiotas da região em que mora.

No decorrer das investigações, outras pessoas compareceram ao Depatri informando que também teriam sido vítimas da suspeita. Foram contabilizados outros quatro crimes, praticados com o mesmo modo de agir, ou seja, dopando clientes. Parte dos itens subtraídos de um casal foram recuperados na casa da investigada e restituídos.