Corações, estrelas, flores e até cerejas. O que antes era motivo de desconforto e pressa para esconder sob camadas de maquiagem, hoje virou um acessório de autocuidado entre os jovens.
Os chamados acne patches (ou adesivos de espinha) tornaram-se uma verdadeira febre entre os jovens das gerações Z e Alpha, que assumiram o tratamento de suas imperfeições cutâneas de maneira colorida. Os adesivos para acne têm ganhado destaque e sua popularidade continua em alta.
Mas afinal, como essas pequenas películas funcionam, e o que dizem os especialistas sobre essa tendência de cuidados com a pele?
Os adesivos mais comuns e tradicionais no mercado são compostos de hidrocolóide.
“Eles ajudam a secar a lesão que já existe porque criam um ambiente que fica ali fechadinho, facilitando a cicatrização e também ajudando o paciente a não manipular as lesões”, explica Alessandra Romiti, médica dermatologista e assessora do Departamento de Cosmiatria da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).
Ao isolar a espinha, o curativo desempenha múltiplas funções protetoras e restauradoras:
- Absorve as secreções acumuladas na lesão;
- Auxilia na cicatrização mais rápida da pele;
- Protege a região, reduzindo o contato com impurezas externas;
- Evita mexer ou espremer a espinha, impedindo o agravamento da inflamação.
De acordo com Romiti, esses adesivos funcionam melhor em acnes mais inflamatórias, como quando há uma “bolinha de pus” ou quando a lesão está com “casquinha”, ajudando na cicatrização.
Da internet para a rotina diária
A analista financeira Bianca Bartalini é uma das consumidoras que aderiu à novidade após conhecê-la pelas redes sociais.
Em depoimento à CNN Brasil, Bianca relatou uma mudança nítida na sua rotina. “Senti bastante diferença durante o uso, principalmente pela agilidade em que seca a acne, reduz a vermelhidão e melhora a aparência da pele”, afirma.
Atualmente, Bianca utiliza os adesivos sempre que nota alguma acne inflamada ou com a “pontinha branca”. Antes de descobrir a novidade, a alternativa era prejudicial. “Antes do adesivo eu não usava nada, eu estourava”.
O hábito de espremer ou “cutucar” as lesões é desaconselhado pela SBD. A manipulação incorreta pode causar infecção secundária, inflamação mais profunda e o surgimento de cicatrizes que são muito difíceis de corrigir na idade adulta.
Hidrocolóide puro ou adesivos?
Com o crescimento do mercado, surgiram variações de adesivos que contêm princípios ativos em sua fórmula, como o ácido salicílico ou a niacinamida, prometendo tratar a lesão localmente. No entanto, a escolha exige atenção.
Sobre isso, a médica pontua que os adesivos de hidrocolóide puro funcionam de forma semelhante aos curativos usados para cicatrizar feridas comuns. Eles apresentam um risco muito menor de irritação.
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Por esse motivo, a recomendação da SBD é evitar adesivos que contenham ácido salicílico, pois eles podem machucar a pele.
Aliado estético, mas não um tratamento definitivo
Apesar dos benefícios, os especialistas alertam que os adesivos não tratam a causa da acne e não substituem o acompanhamento médico.
A acne é uma doença inflamatória crônica das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos, altamente influenciada por hormônios e fatores genéticos.
“Eles não fazem o tratamento da causa da acne, que precisa ser investigada e tratada por um dermatologista. Eles são apenas uma ferramenta a mais, um coadjuvante para ajudar a secar a lesão já instalada”, adverte Romiti.
Dessa forma, o adesivo pode ser suficiente para quem tem apenas uma espinha isolada ocasionalmente.
No entanto, para pacientes com quadros recorrentes, o tratamento requer uma avaliação especializada para determinar o uso de medicamentos locais ou orais específicos.
Guia prático: como usar os adesivos corretamente?
Para quem deseja incorporar os adesivos à rotina de forma segura, a SBD recomenda os seguintes cuidados:
- Higiene: Lave e seque bem o rosto antes de aplicar;
- Aplicação: Cole o adesivo diretamente sobre a pele limpa e seca;
- Foco: Use apenas um adesivo por lesão;
- Tempo: Respeite o tempo de permanência indicado pelo fabricante na embalagem;
- Descarte: Retire e descarte o adesivo após o uso;
- Evite ativos agressivos: Prefira hidrocolóides puros e evite fórmulas com ácido salicílico para prevenir machucados.
Em casos de acne persistente, o caminho correto é sempre consultar um médico dermatologista para obter um diagnóstico e plano de tratamento adequados.
Acnes na adolescência: por que elas surgem e como lidar com elas
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo



