A polícia britânica prendeu nesta terça-feira (6) um homem de 22 anos suspeito de crimes relacionados a terrorismo, como parte da investigação sobre um suposto plano para atacar a base aérea de Fairford, no Reino Unido.
Ele é a sétima pessoa presa durante a investigação.
As prisões ocorrem dias depois de os Estados Unidos retirarem todos os bombardeiros de longo alcance da Força Aérea americana que estavam estacionados na base, após uma nova ameaça não especificada.
Suspensão das operações
Uma fonte disse à CNN que todos os bombardeiros americanos que estavam em Fairford foram transferidos de volta para suas bases nos Estados Unidos. As autoridades não informaram o motivo da retirada dos aviões.
Alguns veículos de imprensa informaram que a preocupação com um possível ataque de drones ordenado pelo Irã motivou a retirada. A CNN, porém, não confirmou essa informação de forma independente.
Uma fonte familiarizada com o caso classificou a ameaça como um “incidente no mundo real”. Segundo ela, é incomum que os militares americanos retirem os bombardeiros de volta para as bases de origem em vez de transferi-los para outra instalação na região.
O presidente Donald Trump confirmou que uma ameaça motivou a retirada, mas não especificou qual. “Eles não saíram voando por acidente”, disse Trump na Casa Branca. “Havia algumas ameaças e, em vez de provocar o inimigo, vamos capturar o inimigo e derrotar o inimigo. Mas por que deixá-los lá? Então nós os transferimos um pouco.”
O vice-presidente JD Vance afirmou na segunda-feira que a decisão foi tomada “por excesso de cautela”, sugerindo que a medida respondeu a uma possível ameaça do Irã, embora tenha se recusado a detalhar as preocupações específicas.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, por outro lado, minimizou a retirada dos bombardeiros e afirmou que não faria uma relação direta entre a transferência e o suposto plano iraniano.
“A única razão pela qual vocês estão focados em quantos aviões estão em Fairford é por causa da ameaça que ocorreu na semana passada. Mas não é incomum ver rotações e movimentações de equipamentos para diferentes partes do mundo por causa de exercícios, redistribuições, troca de pessoal e chegada e saída de aeronaves”, disse Rubio.
O governo britânico afirmou que não comentaria operações militares de outros países. Questionado sobre a segurança dos moradores que vivem perto da base, um porta-voz do governo disse que o Reino Unido possui “abordagens testadas e comprovadas para defender nossas bases” no país e no exterior.
O Ministério da Defesa britânico também se recusou a comentar operações ou capacidades de outros países.
Investigação sobre o plano de ataque
A base da Royal Air Force em Fairford é utilizada para operações de bombardeiros B-1 americanos envolvidos na guerra contra o Irã e funciona como local de operação do Comando de Ataques Globais dos Estados Unidos, responsável pelo gerenciamento de ataques de longo alcance.
O analista de segurança nacional da CNN, Alex Plitsas, afirmou que provavelmente havia algumas dezenas de bombardeiros estacionados em Fairford e classificou como incomum a retirada de todas as aeronaves.
“Isso mostra a credibilidade e a gravidade da ameaça como um todo contra a base”, afirmou.
A transferência dos bombardeiros ocorreu durante a investigação sobre o suposto plano.
Em 27 de setembro, a polícia britânica prendeu cinco homens sob suspeita de crimes relacionados a terrorismo e explosivos nas proximidades da base aérea.
Os cinco homens, identificados apenas como cidadãos britânicos de 23 a 25 anos da região de Londres, foram rapidamente libertados sob fiança. A polícia confirmou que nenhum explosivo foi encontrado nas três vans envolvidas no caso.
A libertação provocou críticas de Trump, que afirmou: “Eu não teria feito isso”.
Na quinta-feira, um cidadão britânico-iraniano de 25 anos também foi preso em conexão com o suposto plano. Ele também foi liberado sob fiança.
Agora, com a prisão do homem de 22 anos, sete pessoas foram detidas no âmbito da investigação.
Segundo várias fontes familiarizadas com o caso, a inteligência americana acompanhava há semanas os preparativos de grupos iranianos para atacar instalações americanas na base.
O planejamento envolvia tentativas de usar intermediários para recrutar grupos criminosos locais para executar um ataque, segundo fontes. A CNN não conseguiu determinar se os homens presos já eram conhecidos das autoridades antes das primeiras detenções.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou na semana passada que existem “fortes indícios” de envolvimento iraniano. “Vamos dizer mais no momento oportuno, mas podemos confirmar nossa crença de que o Irã teve algum papel”, afirmou à BBC em 30 de setembro.
As declarações de Burnham parecem corroborar a avaliação americana de que o caso envolve um agente estrangeiro. Rubio também afirmou que “as mãos de um ator estrangeiro” estavam envolvidas no suposto plano, mas se recusou a fornecer detalhes.
O Irã, por sua vez, negou qualquer envolvimento no episódio, classificou as acusações como infundadas e convocou o embaixador britânico em Teerã, segundo a imprensa estatal iraniana. Durante a reunião, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, teria pedido a Londres que revisasse o que chamou de abordagem “inadequada” em relação a Teerã.



