O processo da Califórnia pelos votos não cidadãos vem à tona, refletindo a tensão entre governo federal e estadual sobre a administração das eleições. A situação gera preocupação e questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral.
Impasse Legal sobre Votação na Califórnia
No dia 15 de outubro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou um processo contra a Califórnia. O objetivo é impedir que o estado conte cédulas remetidas por mais de 20 mil eleitores, que o governo de Donald Trump alega serem não cidadãos. Esta medida ocorre em um momento crítico, a poucas semanas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
A ação do governo Trump é uma tentativa explícita de ampliar a influência federal na gestão das eleições. O Partido Republicano se encontra em uma luta intensa para preservar o controle nas duas casas do Congresso, e as alegações sobre votação ilegal ajudam a moldar o discurso político durante essa fase.
Controvérsia sobre Votos Não Cidadãos
A Constituição dos Estados Unidos confere aos estados a responsabilidade pela administração das eleições, mas o governo federal também possui prerrogativas de fiscalização. Apesar das reiteradas afirmações de Trump sobre a disseminação do voto por não cidadãos, muitos estudos indicam que esses casos são extremamente raros. Uma investigação realizada pela Reuters, divulgada em julho, revelou que desde 1996 apenas 129 indivíduos foram processados por praticar essa ilegalidade.
No processo de Los Angeles, o Departamento de Justiça solicita uma ordem judicial que impeça a contagem de cédulas até que a condição migratória dos eleitores seja verificada. Em uma carta enviada à Califórnia, o governo estabeleceu um prazo de 48 horas para a análise de uma lista de potenciais eleitores não cidadãos, entregando-a em um dispositivo USB. Esse ato representa um aumento significativo da pressão do governo federal sobre as autoridades eleitorais estaduais.
Reação da Califórnia e Preocupações com a Integridade do Voto
Os responsáveis eleitorais da Califórnia reagem à ação do governo, com a secretária de Estado, Shirley Weber, enfatizando que o estado já implementou mecanismos eficazes para evitar que não cidadãos votem. Em uma declaração recente, Weber criticou os esforços do Departamento de Justiça, afirmando que eles servem apenas para causar desordem e aumentar a desconfiança pública nas eleições.
Especialistas e defensores dos direitos de voto também expressam preocupação. Muitas vezes, cidadãos naturalizados podem ser incorretamente identificados como não cidadãos devido a registros desatualizados. As implicações da ação do governo podem levar a Califórnia a infringir uma lei federal que proíbe a remoção em massa de registros eleitorais nos 90 dias que antecedem uma eleição.
O Papel do Departamento de Segurança Interna
No âmbito do processo, o Departamento de Segurança Interna afirmou ter identificado supostos não cidadãos ao comparar registros eleitorais com seus bancos de dados. A acusação de que mais de 30 mil não cidadãos possam ter sido listados erroneamente nos registros eleitorais desde 2000 levanta questões sobre a validade do sistema. No entanto, os números ainda são baixos comparados aos cerca de 170 milhões de eleitores registrados nos EUA, sem evidências conclusivas de que isso impacte resultados eleitorais de forma significativa.
O especialista Rick Hasen, professor de direito da Universidade da Califórnia em Los Angeles, acredita que a ação judicial contra a Califórnia enfrentará barreiras legais. Ele ressalta que o governo federal não possui autoridade para interferir nas práticas eleitorais dos estados e que não há base jurídica clara para tal interferência.
Em suma, a disputa sobre a contagem de votos não cidadãos na Califórnia exemplifica as tensões entre as esferas federal e estadual e levanta questões pertinentes sobre a proteção das eleições e a confiabilidade do registro de eleitores nos Estados Unidos. À medida que o dia da eleição se aproxima, os desdobramentos deste caso têm o potencial de influenciar decisivamente a confiança pública nas eleições.




