No evento para sancionar a nova legislação que estabelece o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez duras críticas ao silêncio de sindicatos e entidades médicas durante a pandemia. A ausência de vozes ativas, segundo Lula, foi um fator que permitiu a omissão em momentos críticos e dificultou qualquer manifestação contra os abusos de poder que podem ter surgido nesse período.
Silêncio das Entidades e Suas Consequências
Durante seu discurso, Lula enfatizou que o silêncio de organizações relevantes no Brasil contribuiu para um ambiente em que a sociedade ficou sem ânimo para se manifestar. Ele ponderou: “Muita gente se calou. Os sindicatos não foram para cima, as entidades médicas não foram para cima, tinha entidade importante do Brasil que não falou nada”. Este entrave à mobilização social, segundo o presidente, é inaceitável em face das perdas imensas que o país sofreu.
A falta de posicionamento claro em relação à gestão da crise sanitária representa não apenas um desinteresse pela saúde pública, mas também um abandono das responsabilidades sociais por parte de instituições que poderiam ter exercido um papel fundamental na luta contra os abusos de quem estava no poder. “Eu acho que assim a gente nunca vai conseguir fazer com que a sociedade se manifeste contra os abusos de quem quer que seja a pessoa que tem um cargo”, completou Lula.
A Luta por Justiça e Reconhecimento
O presidente ainda mencionou a necessidade urgente de que a sociedade reconheça quem foi responsável pelas tragédias arrecadadas durante a crise. Ele criticou o governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro (PL), e afirmou: “ele era composto por um monte de gente que fazia questão de se fazer ignorante e por isso levou o país a um sacrifício desnecessário”.
Lula argumenta que o reconhecimento dos responsáveis é um passo crucial para que se estabeleça justiça e responsabilidade, não só no cenário nacional, mas também no âmbito internacional, sugerindo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deveria ter tomado medidas contra Bolsonaro por suas decisões durante a pandemia: “Na época eu dizia que era preciso levar justiça, que a OMS precisava levar o Bolsonaro na Justiça como um cara que cometeu um crime contra a humanidade.” Este apelo por justiça ressoa com as vozes de milhares de famílias que perderam entes queridos e que buscam algum tipo de reparação ou reconhecimento.
Reflexões sobre a Ignorância e o Abandono Social
A reflexão proposta pelo presidente vai além do silêncio de algumas entidades; é um convite à sociedade para que não se permita esquecer o que ocorreu durante a pandemia. Lula colocou em evidência a necessidade de aprender com os erros do passado, para que não se repitam as desumanidades que marcaram aquele momento histórico. “Temos que falar em alto e bom tom sobre aqueles que contribuíram para fortalecer a ignorância no tratamento da pandemia”, enfatizou.
A fala de Lula também ressalta a relevância do ativismo social e das vozes coletivas, que podem fazer a diferença em um cenário de crise. O presidente acredita que, se não se nomear os responsáveis, as ações que levaram à morte de tantas pessoas podem ser ofuscadas pelo esquecimento. Cada nome, cada história, deve ser lembrado para que a memória não se perca e para que haja, de fato, um compromisso com a mudança.
O Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 deve servir como um lembrete permanente da necessidade de vigilância e responsabilidade. Que as lições aprendidas e as vozes silenciadas possam renovar a determinação da sociedade em não aceitar o silêncio e a omissão como resposta a crises futuras.

