A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra chegou ao Palácio da Polícia Civil, no centro de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (21). Conduzida por agentes em uma viatura da corporação, a empresária foi alvo de um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito da Operação Vérnix.
O registro da chegada de Deolane no Palácio da Polícia foi marcado por tumulto devido à presença de uma legião de repórteres que aguardavam no local. Veja vídeo.
A influenciadora não deu declarações à imprensa enquanto era levada para o interior do prédio. Deolane havia retornado ao Brasil na véspera da operação, após passar duas semanas em Roma, na Itália, período em que seu nome chegou a ser incluído na difusão vermelha da Interpol.
A investigação, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), apura crimes de organização criminosa e lavagem de capitais vinculados à alta cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Ligação de Deolane com a Operação Vérnix
Segundo o Ministério Público, Deolane ocupa uma posição de destaque em uma “engrenagem financeira milionária” utilizada para ocultar e reintegrar à economia formal os valores da facção criminosa. As autoridades apontam que a influenciadora possuía vínculos pessoais e comerciais com gestores de uma transportadora em Presidente Venceslau, identificada como parte fundamental do grupo.
Além de Deolane, a operação visa também familiares de Marcola, líder da organização, incluindo um irmão e dois sobrinhos do detento. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 327 milhões e o sequestro de 17 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Veja também: Investigação do Gaeco aponta ligação direta de Deolane Bezerra com PCC
A Operação Vérnix é um desdobramento de uma investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau que revelaram a dinâmica interna da facção.
Histórico de prisões da influenciadora
Esta é a segunda vez que a advogada é detida em operações policiais. Em setembro de 2024, ela foi presa em Pernambuco durante a Operação Integration, que investigava jogos ilegais e lavagem de dinheiro através de casas de apostas. Na ocasião, Deolane foi solta após o Tribunal de Justiça considerar frágeis os indícios de materialidade delitiva nas investigações.
Sobre a nova prisão em São Paulo, a investigação ressalta que a projeção pública e a atividade empresarial de Deolane eram usadas como camadas de aparente legalidade para dificultar o rastreio de recursos ilícitos. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa da influenciadora e dos demais citados.
A defesa de Deolane Bezerra
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra sua irmã. Veja nota na íntegra:
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública…para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”
Influencer Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC em SP



