A CNN Brasil obteve acesso às imagens registradas durante o julgamento dos policiais militares acusados de participação na morte do empresário Vinicius Gritzbach, que é um delator do PCC (Primeiro Comando da Capital). A sessão, realizada na segunda-feira (22), foi anulada após a defesa deixar o plenário.
A defesa dos réus e a promotoria já trocavam provocações desde o início do julgamento, que foi marcado por um intenso embate verbal entre as partes, incluindo ofensas de cunho pessoal.
O episódio de maior tensão ocorreu durante o depoimento de um capitão da Polícia Militar, onde foi mencionado um suposto atentado sofrido pelo advogado Mauro Ribas, presente na banca. A defesa alegou que o fato era totalmente alheio ao caso julgado.
Veja:
Nesse momento, a defesa acusou o promotor Rodrigo Merli Antunes de querer trazer um fato alheio ao caso, insinuando que os advogados estariam em conluio com o “bando dos criminosos”.
Durante o interrogatório, o promotor indagou ao capitão se ele já havia conduzido um inquérito onde agentes teriam cometido um atentado contra o advogado. A testemunha confirmou a realização de um inquérito administrativo.
Após essa afirmação, o promotor tentou defender que a defesa apresentava contradições, um ponto que, segundo ele, foi elucidado pelo depoimento do capitão.
O conflito escalou quando a defesa acusou o Ministério Público de “cinismo” ao descobrir que o perito criminal da acusação teve acesso prévio a documentos sigilosos.
Um dos defensores questionou ao capitão se ele teria se alinhado com o promotor antes da sessão. “O senhor está trazendo elementos que não existem nos autos. O senhor [capitão] conversou com o doutor [promotor] antes do depoimento?”, ele perguntou.
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A partir desse ponto, os defensores afirmaram que não aceitariam a “criminalização da advocacia” por parte do Ministério Público e abandonaram o plenário, alegando que o promotor era “covarde” e “mentiroso”.
“Respeita a advocacia, rapaz! Vambora! É uma palhaçada, uma postura lamentável de um homem [promotor] que não tem prova e quer incriminar três inocentes!”, gritaram os advogados.
Viralização das Ofensas
Veja o momento da briga final
A disputa e as narrativas conflitantes se estenderam para o lado de fora do Tribunal, onde ambas as partes apresentaram suas versões sobre os acontecimentos.
Veja o que disse a acusação
O promotor Rodrigo Merli Antunes reforçou sua tese de que a defesa criou narrativas falsas acerca do caso, afirmando que o depoimento do capitão provou que o atentado seria uma “fraude” criada pelos advogados.
Veja o que disse a defesa
Na visão do Dr. Claudio Dalledone, um dos defensores, o caso foi uma “crônica de uma tragédia anunciada”. Ele afirmou que não tolerarão esse tipo de ataque e que formalizarão uma queixa contra o promotor.
Sob protestos de familiares que clamavam pela continuidade do julgamento, o destino dos réus e o veredito do caso foram adiados. Denis Martins, Ruan Rodrigues e Fernando Genauro da Silva continuam detidos.
Repercussão do Conflito no Tribunal
À CNN Brasil, a defesa dos réus repudiou a situação e alegou ter sido alvo de ataques pessoais durante o julgamento.
“A banca de defesa dos policiais militares acusados no caso Vinícius Gritzbach vem a público manifestar seu profundo repúdio aos ataques pessoais e às ofensas dirigidas aos advogados que exercem a defesa técnica dos acusados durante a sessão plenária. Durante os trabalhos, os advogados da defesa foram alvo de manifestações incompatíveis com o ambiente de respeito e urbanidade que deve nortear o Tribunal do Júri, sendo reiteradamente associados, de forma pejorativa, à condição de defensores de “assassinos de aluguel” e “e conversam com assassinos” – expressões ofensivas e desqualificadoras dirigidas à advocacia.
Em especial, o advogado Mauro Ribas foi alvo de referências indevidas a um episódio traumático de sua vida pessoal, que consistiu em um atentado anteriormente sofrido. Esse fator foi trazido ao plenário de maneira desrespeitosa e desvinculada do objeto do julgamento, em evidente afronta à dignidade profissional e às prerrogativas da advocacia. As sucessivas ocorrências geraram uma situação de absoluta excepcionalidade, reconhecida pelo próprio Juízo Presidente, tornando inviável a continuidade regular dos trabalhos e culminando na dissolução do Conselho de Sentença.
A defesa declarou que tomará todas as providências institucionais e legais cabíveis em razão dos fatos ocorridos, uma vez que o exercício da advocacia criminal é uma função essencial à administração da Justiça e não deve ser alvo de intimidações, ataques pessoais ou tentativas de deslegitimação. Por fim, a banca reafirma seu compromisso com a defesa dos réus, permanecendo na representação do Tenente Genauro, do Cabo Denis e do Soldado Ruan, aguardando a designação de nova data para julgamento.”
O Ministério Público de São Paulo, por sua vez, repudiou “não só as quase consumadas agressões físicas em face do sobredito promotor, como também lamenta a conduta ao final adotada”.
“Ao contrário do propalado pela defesa dos PMs acusados no processo em referência, o Ministério Público do Estado de São Paulo vem a público esclarecer que, na última segunda-feira, o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Guarulhos não foi dissolvido pelo magistrado em função da conduta de um dos promotores de Justiça, mas sim diante da recusa dos advogados em prosseguirem no julgamento, deixando, assim, os réus indefesos para a continuidade da sessão.
A instituição repudia não só as quase consumadas agressões físicas em face do sobredito promotor, como também lamenta a conduta ao final adotada, que não apenas posterga a prestação jurisdicional e pacificação dos conflitos, mas também gera custos ao erário e, principalmente, a revitimização das famílias enlutadas.”
*Sob supervisão de AR.


