Trump e Irã: Impactos na Economia Global em 2023

Trump e Irã: Impactos na Economia Global em 2023

Conflito no Estreito de Ormuz acirra tensões internacionais. Na noite de segunda-feira (13), os Estados Unidos anunciaram um novo bloqueio a portos iranianos, intensificando a disputa pelo controle dessa passagem estratégica. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou cobrar uma taxa de 20% sobre o valor da carga de navios que os EUA ajudarem a cruzar o Estreito de Ormuz.

A declaração de Trump foi feita por meio das redes sociais, onde afirmou que os Estados Unidos seriam os “guardiões” do estreito. A CNN buscou informações com o Comando Central dos EUA sobre como seria a cobrança, mas um porta-voz informou que as perguntas deveriam ser direcionadas à Casa Branca.

Controlando a passagem estratégica

Há uma intensa disputa entre os Estados Unidos e o Irã sobre quem realmente possui o poder no Estreito de Ormuz. Os navios comerciais que tentam atravessar a passagem por uma rota próxima a Omã, apoiada por Washington, têmrelatado ataques sem coordenação com as autoridades marítimas iranianas. Os militares americanos têm realizado operações quase diárias contra alvos ao longo da costa sul do Irã. O objetivo declarado é reduzir a capacidade de Teerã de interromper o tráfego marítimo.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o Irã “sempre será o guardião do Estreito”. Ele sugeriu ainda que Teerã, ao propor um regime oficial de taxas e licenças na passagem, seria mais justa do que Washington. O analista de Relações Internacionais da CNN, Lourival Sant’Anna, apontou que a proposta de Trump carece de respaldo. “A comunidade internacional não aceita qualquer tipo de cobrança, seja do Irã ou dos Estados Unidos. Essa prática não é permitida pela lei internacional”, afirmou.

Repercussões econômicas e redução no tráfego

As incertezas derivadas desse conflito já refletem nas economias globais. O preço do barril de petróleo tipo Brent viu um aumento de quase 10% na segunda-feira (13), que é a maior alta desde o início de abril. Dados de empresas de rastreamento como Kepler e Marine Traffic indicam que o tráfego de embarcações no estreito caiu cerca de 50% em apenas uma semana.

O economista Najad Khouri ressalta a importância estratégica do Estreito de Ormuz para o Irã. Representantes iranianos identificaram que o controle da passagem fluvial é fundamental para a revolução, permitindo que o Irã controle o tráfego de energia global e demonstre sua força contra os Estados Unidos. Khouri também apontou uma divisão interna no Irã, onde as Guardas Revolucionárias atuam de forma independente em relação à ala política que negociou o memorando de entendimentos.

Navegando por rotas alternativas

Com a instabilidade crescente, países da região estão buscando rotas alternativas ao Estreito de Ormuz. Segundo Lourival Sant’Anna, os Emirados Árabes Unidos estão ampliando a capacidade de um oleoduto que liga seu emirado a um porto fora do Estreito de Ormuz, permitindo o escoamento direto pelo Golfo de Omã. A Arábia Saudita também está duplicando a capacidade de um oleoduto que liga o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.

Outras rotas do Kuwait e do Bahrein ao Mediterrâneo estão sendo exploradas. Contudo, o analista alerta que, exceto pelos Emirados Árabes, as alternativas em questão levam anos, não meses, para se concretizarem. Além disso, estão em curso negociações para estabelecer uma linha de comunicação militar direta entre os Estados Unidos e o Irã, a primeira desde a invasão da embaixada americana em Teerã, em 1979.

Lourival afirmou: “Está se tentando estabelecer uma ‘hotline’ entre os militares americanos e iranianos para troca de garantias, que seria o ponto inicial para uma negociação visando a estabilização do Estreito de Ormuz”. Contudo, ele destacou que os ataques americanos continuam a ocorrer.

Caminhar em direção a uma solução sustentável é um desafio contínuo. Para Lourival Sant’Anna, a solução deve abordar as preocupações de segurança da Guarda Revolucionária iraniana. Embora o recente memorando de entendimento abra espaço para interesses do governo civil, como a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reabilitação do país e a suspensão de sanções

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Há, no entanto, uma necessidade clara de garantias de que o Irã não voltará a ser atacado. “Há uma crise de confiança”, destacou Sant’Anna, lembrando que o Irã foi agredido enquanto estava em negociações. Ele ressalta que um “grande arranjo securitário, uma nova ordem na segurança regional” é necessário para satisfazer os militares iranianos, assegurando a participação de todos os países na região.

O clima permanece imprevisível e, conforme Khouri observou, “Estamos diante de um acordo, mas a possibilidade de um confronto maior sempre existe.”

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