A Orizon Valorização de Resíduos divulgou seu desempenho no segundo trimestre de 2023, apresentando um lucro líquido de R$ 6,3 milhões. Este resultado representa uma queda significativa de 76,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar da redução no lucro, a receita operacional líquida da empresa avançou consideravelmente, com um crescimento de 134,5%, chegando a R$ 619,6 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 35,6%, totalizando R$ 170 milhões.
Em uma entrevista ao CNN Money, Milton Pilão, CEO da Orizon, explicou que a queda no lucro foi atribuída a despesas não recorrentes relacionadas à aquisição da Vital, concluída em 11 de junho. “Se essas despesas não recorrentes estivessem fora do balanço, o lucro seria acima do que a gente apresentou em 2025 e no primeiro trimestre”, disse Pilão.
A aquisição da Vital, que teve um valor estimado em cerca de R$ 3 bilhões, resultou em custos com assessoria, advocacia e auditoria, afetando negativamente a linha de lucro líquido, mas com a expectativa de que tais custos não se repitam nos períodos futuros.
A importância da aquisição da Vital
Após a incorporação da Vital, a Orizon se consolidou como a líder na gestão de resíduos na América Latina, agora responsável por 15,4 milhões de toneladas de resíduos por ano e detendo aproximadamente 34% de participação no mercado de resíduos destinados a aterros. Com 30 ecoparques em 15 estados brasileiros, a companhia agora atende cerca de 40% da população do país.
“A combinação dos ativos torna a Orizon a maior plataforma de valorização de resíduos da América Latina“, enfatizou Pilão. Para o terceiro trimestre, a expectativa é que a plataforma consolidada alcance uma receita trimestral ajustada líquida de R$ 1 bilhão, com um Ebitda ajustado em torno de R$ 350 milhões por trimestre.
Desalavancagem e projeções futuras
Milton Pilão também destacou a desalavancagem da empresa, que viu a relação dívida líquida sobre Ebitda cair de 2,6 vezes para 1,8 vezes no trimestre. Esse indicador deve continuar a diminuir, já que os ativos de biometano e energia ainda estão em processo de entrada em operação nos próximos trimestres.
Além disso, a companhia possui um bônus de subscrição de aproximadamente R$ 1 bilhão em novo equity programado para o próximo ano. Para o segundo semestre, o CEO enfatizou a expectativa de que as plantas de biometano em Paulínia e Jaboatão – consideradas as duas maiores do país – operem em plena capacidade.
Ele também destacou o potencial do biometano como um motor da transição energética no Brasil, citando a aquisição de 200 ônibus movidos a biometano pela cidade de São Paulo como um exemplo do avanço do setor. “Cada ônibus que você substitui de diesel por biometano significa 6.400 árvores plantadas naquele ano”, ressaltou.
A Orizon também manifestou a intenção de continuar suas aquisições, prevendo movimentações inorgânicas nos meses que se aproximam. Com um foco no crescimento contínuo e na sustentabilidade, a empresa busca fortalecer sua posição como referência na valorização de resíduos na América Latina.




