Apagões, descontentamento e crise financeira definem a administração de Orsine Oliveira na Amazonas Energia

Amazonas — A privatização da Amazonas Energia não dissolveu os problemas estruturais e financeiros que afetam a distribuidora. Após anos de apagões, reclamações e falta de investimentos, a empresa entrou em um processo de transição de controle e de investimentos que busca recuperar a confiabilidade do sistema elétrico do estado. Imagem ilustrativa sobre problemas elétricos

Colapso financeiro e histórico de falhas

Documentos oficiais e relatórios regulatórios mostram que a crise não é recente: a empresa acumulou déficit operacional e dívida crescente ao longo dos últimos anos, com reflexos diretos na qualidade do serviço prestado. Ao final de 2025, a distribuidora registrava dívida bruta de R$ 12,047 bilhões, parcela relevante da qual estava vinculada a obrigações com a Eletrobras. Leia mais sobre a dívida.

Fiscalização da Aneel e risco de caducidade

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanhou o desarranjo financeiro e operacional: em fiscalizações entre 2021 e 2022 a concessionária teve planos reprovados e, em setembro de 2022, recebeu termo de intimação por falhas que, não corrigidas, poderiam levar a medidas regulatórias severas. Em 2023, a agência recomendou ao Ministério de Minas e Energia a avaliação da caducidade da concessão. Veja detalhes da fiscalização.

Efeitos na população e no interior

Falhas no fornecimento afetaram serviços essenciais e consumidores em larga escala. No Alto Solimões, o indicador DEC (duração média das interrupções) acumulou valores elevados entre 2021 e 2023; em Tefé foram contabilizadas 477 interrupções em 18 meses (entre 2024 e o 1º semestre de 2025), número que motivou recomendações do Ministério Público para intervenção. Além disso, queimadas em 2023 destruíram cerca de 230 postes em 23 municípios e danificaram trechos de linhas, ampliando o risco de novas quedas.

Imagem sobre queimadas e danos em postes

Ocorrências recentes que evidenciam vulnerabilidades

Entre os episódios mais críticos estão apagões que chegaram a afetar mais de 300 mil consumidores e incidentes em subestações, como a explosão e incêndio na Subestação Aparecida em maio de 2025 — eventos que expuseram fragilidades na operação e na manutenção da rede.

Transição de controle e plano de investimentos

Em 10 de abril de 2026 a Âmbar Energia assumiu a operação da distribuidora e apresentou um plano de recuperação com previsão de R$ 5,5 bilhões em investimentos até 2031, incluindo recursos próprios estimados em R$ 3,9 bilhões para manutenção, modernização de subestações, substituição de cabos e adoção de tecnologias de monitoramento. A nova gestão aposta na execução dessas obras para reduzir apagões e elevar a qualidade do serviço.

Imagem do plano de investimentos

Desafios imediatos

A retomada exige ações coordenadas: priorização de trechos críticos, automação e digitalização da operação para detecção e isolamento rápido de falhas, programas robustos de redução de perdas e regulação de ligações, além de políticas preventivas contra incêndios e manejo de vegetação nas faixas de transmissão. Transparência, metas públicas e fiscalização contínua serão essenciais para transformar os investimentos em resultados concretos para a população.

Imagem sobre desafios da energia

Contexto de demanda e risco climático

O esforço de recuperação ocorre em cenário de pressão de demanda e eventos climáticos: picos históricos de consumo e aumento de incêndios durante a estiagem elevam a exposição da rede a novos incidentes, exigindo respostas mais rápidas e infraestrutura mais resiliente.

Reportagem reescrita a partir do material publicado por CM7 Brasil.