Milho recua 1,53% em Chicago com aumento da oferta atual

Milho recua 1,53% em Chicago com aumento da oferta atual

Os contratos futuros do milho encerraram em baixa nesta segunda-feira (19) na bolsa de Chicago. O vencimento para dezembro recuou 1,53%, cotado a US$ 4,67 por bushel, atingindo o menor nível em cerca de oito semanas. Essa movimentação reflete um cenário de pressão sobre os preços, impulsionado pela redução das expectativas de alta dos fundos de investimento e pela previsão de avanço da colheita nos Estados Unidos.

De acordo com informações da consultoria Royal Rural, a posição líquida comprada dos fundos diminuiu de 329,8 mil para 246,4 mil contratos em uma semana, uma redução de cerca de 25%. Essa mudança indica que os investidores estão diminuindo sua exposição à valorização do grão, ampliando a pressão vendedora no mercado futuro.

Além disso, a previsão de uma semana mais seca no Cinturão do Milho, a principal região produtora dos Estados Unidos, favorece a execução das colheitas e eleva a expectativa de novos volumes no mercado. Embora os relatos de produtividade ainda sejam variados, o clima mais favorável diminui o risco de atrasos nas operações agrícolas.

Perspectivas de Oferta e Demanda

No cenário da América do Sul, a velocidade de comercialização da safra argentina está adicionando pressão à oferta. Nos últimos cinco meses, os produtores do país venderam cerca de 5,1 milhões de toneladas de milho, quase o dobro do que é habitual para esse período. Aumento na disponibilidade de milho pode intensificar a concorrência com o produto norte-americano nos mercados internacionais.

Esse ambiente reforça a percepção de oferta abundante em Chicago e continua a manter os preços sob pressão. A perda da barreira de US$ 4,70 por bushel é um ponto de atenção para os operadores, uma vez que novas quedas podem estimular vendas adicionais, caso o mercado não consiga recuperar esse nível rapidamente.

Diante desse cenário, os investidores estão atentos ao relatório de progresso da colheita do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Uma confirmação de avanços significativos nas operações de colheita pode manter a pressão baixista, enquanto indícios de produtividade abaixo do esperado podem oferecer algum suporte às cotações.

Impacto na Soja e no Trigo

Os contratos futuros da soja também fecharam em baixa na bolsa de Chicago, com o vencimento para novembro registrando uma queda de 0,61%, cotado a US$ 12,53 por bushel. Essa pressão é atribuída ao avanço da colheita nos Estados Unidos e ao aumento da oferta do grão no mercado.

Segundo análise da Agrinvest, a chegada da nova safra americana e a maior disponibilidade do grão têm contribuído para a pressão nos preços no mercado físico nacional, refletindo no enfraquecimento do basis, que mede a diferença entre o preço local e a cotação do contrato futuro. No Brasil, o plantio da safra 2026/27 avança, já se aproximando de 30% em algumas estimativas, superando o ritmo do ano passado.

Apesar do progresso no plantio, o excesso de chuvas no Paraná continua a ser uma preocupação, podendo impactar os trabalhos no campo. Por outro lado, do lado da demanda, o USDA registrou novas vendas de soja, totalizando 1,47 milhão de toneladas destinadas à China e 780 mil toneladas para outros destinos não especificados no período de 14 de outubro até esta segunda-feira.

Desempenho do Trigo e Mercado Internacional

Os contratos futuros de trigo também registraram baixa, com o vencimento para dezembro caindo 0,79%, cotado a US$ 6,55 por bushel, mantendo a tendência negativa após registrar a sétima semana consecutiva de perdas na última sexta-feira.

O mercado de trigo continua pressionado pelo aumento das vendas de contratos por parte dos investidores, influenciado pela concorrência internacional e pelo avanço da colheita no Hemisfério Sul. A valorização do dólar em relação ao euro tem diminuído a competitividade do trigo norte-americano em comparação com a oferta da União Europeia.

A queda acumulada nos preços desde o final de agosto, que é estimada entre 16% e 17%, favoreceu a competitividade do cereal americano no mercado internacional. Contudo, os dados mais recentes sobre exportação continuam a gerar preocupações em relação à demanda. O USDA informou que os embarques totalizaram 240.308 toneladas na última semana, abaixo das 307.025 toneladas registradas anteriormente e também aquém das expectativas do setor privado, que esperavam entre 300 e 400 mil toneladas.