O TSE se posiciona sobre a criação de plataformas digitais no contexto eleitoral. Recentemente, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, rejeitou um pedido da coligação de Lula (PT) para desativar o “Flaviômetro”. Essa ferramenta digital monitora nas redes sociais os políticos que apoiam Flávio Bolsonaro (PL).
Na sua decisão, Nunes Marques afirmou que, até o momento, não existem elementos suficientes que comprovem a ligação deste site com a campanha de Flávio ou com o PL. O ministro determinou que a Cloudflare, responsável pelo registro do domínio, apresentasse dados cadastrais do titular do site, informações sobre pagamentos, o IP real do servidor e os registros de acesso desde a data de registro do domínio, em 12 de outubro.
Investigação sobre financiação
O juiz alertou que o rastreamento de quem financia e mantém a página é crucial para determinar se há um vínculo com a campanha eleitoral, se foram feitos gastos não declarados ou se existe financiamento de fontes proibidas. O Flaviômetro já acompanha 1.521 políticos, destacando quem já mencionou Flávio nas redes sociais, pediu apoio ou que ficou em silêncio sobre ele por mais de 48 horas.
A coligação de Lula argumenta que o site é uma central de produção e distribuição de propaganda para a candidatura de Flávio e citou, como evidência, um vídeo onde o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) afirma ter conversado com a equipe da campanha de Flávio sobre o site antes de sua divulgação. No entanto, Nunes caracterizou a fala como ambígua, ressaltando que uma declaração em uma conta pessoal não pode ser considerada a mesma coisa que uma comunicação proveniente de um canal oficial da campanha.
Legislação eleitoral e sites de apoio
O ministro ainda pontuou que a legislação eleitoral não proíbe a criação de sites de apoio por indivíduos, desde que não haja práticas como impulsionamento ou pagamentos ao responsável pela plataforma, o que não foi comprovado até agora. Ele também descartou a alegação de que a anonimidade do site tornaria sua operação ilegal, ressaltando que o primeiro passo é identificar o titular da ferramenta.
Nunes Marques citou precedentes do tribunal, lembrando de um caso semelhante ao do site “Pode Espalhar”, criado para apoiar Lula. Naquela situação, o TSE optou por exigir a regularização da plataforma em vez de determiná-la a ser removida. Para ele, a proibição do Flaviômetro sem provas consistentes de um vínculo seria ainda menos justificável, especialmente às vésperas do segundo turno das eleições, previsto para o dia 25 de outubro.
Próximos passos no TSE
A decisão foi apenas a primeira etapa no TSE. O caso será submetido ao plenário da Corte, onde tanto Flávio quanto o PL terão a oportunidade de apresentar suas defesas. A PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) também deverá se manifestar sobre a questão.
O desenrolar dessa situação é crítica no atual contexto das eleições, onde a influência das redes sociais e as novas formas de comunicação emergem como fatores importantes para o engajamento e a mobilização de eleitores. A ação do TSE de investigar a origem e o financiamento de plataformas digitais será fundamental para garantir que as campanhas sigam as normas eleitorais estabelecidas.
No cenário contemporâneo, o debate sobre a legalidade e a ética dos sites de suporte na política tomará cada vez mais relevância. O controle e a transparência nas informações que circulam podem impactar diretamente os resultados dos processos eleitorais futuros. A maneira como essas questões serão tratadas pelo TSE pode criar precedentes importantes para o futuro da comunicação política na era digital.
O monitoramento por meio de plataformas como o Flaviômetro levanta questões sobre a responsabilidade legal dos criadores e a possibilidade de manipulação da informação no ambiente digital. O desfecho dessas investigações e as decisões judiciais que se seguirão serão cruciais para moldar o panorama político e eleitoral do Brasil nos próximos anos.




