As negociações envolvendo a delação premiada de Daniel Vorcaro seguem com cautela por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR). Integrantes da PGR, responsables por discutir a proposta com os advogados de Vorcaro, ainda não revelaram uma decisão definitiva. O analista de Política da CNN, Teo Cury, destacou no programa CNN Novo Dia que a PGR analisa os anexos enviados pela defesa do ex-banqueiro.
A proposta de delação premiada dividiu-se em duas vertentes: uma direcionada à Polícia Federal (PF) e outra à própria PGR. Após a negativa da PF, a responsabilidade de decidir sobre o acordo recai agora sobre a PGR, que deverá avaliar se concorda ou não com a posição apresentada pela PF.
Trajetória das Negociações
O início das tratativas da proposta data do início de maio, mas a PF rejeitou o acordo vinte dias depois. A justificativa foi a falta de elementos que substanciassem a proposta de Vorcaro, apontando que ele apresentava mais justificativas do que crimes cometidos por si ou por pessoas próximas.
Apesar da rejeição da PF, a PGR continuou a explorar a possibilidade de acordo. Houve um retorno da PF às negociações, mas novamente a proposta foi refutada. A nova negativa foi repassada à defesa na quarta-feira (10), com a comunicação ao ministro André Mendonça, do STF, na quinta-feira (11).
Segundo Teo Cury, tanto a PF quanto a PGR resistem à proposta de delação por uma avaliação comum: Vorcaro não assumiu suas responsabilidades e não apontou crimes de terceiros. “Ele revela mais uma tentativa de se proteger do que de colaborar com a investigação”, disse o analista, enfatizando a natureza evasiva da proposta. Se a PGR aceitar o acordo, o texto final será enviado a André Mendonça para a validação final da delação.
Exame de Provas e Critérios para Homologação
A Polícia Federal atualmente possui uma quantidade significativa de provas relacionadas a Vorcaro, incluindo oito celulares apreendidos, além de mensagens e documentos provenientes de diversas operações realizadas desde novembro.
Para homologar um acordo de delação, a PGR exige o cumprimento de três critérios essenciais: apresentação de elementos novos, corroboração de provas já existentes e a demonstração de que o colaborador pode restituir os cofres públicos.
No caso de Daniel Vorcaro, o prejuízo estimado varia entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões, e ainda não existe consenso sobre sua capacidade de restituir esses valores de forma eficaz.
Indefinição e Prazos na PGR
A falta de um cronograma definido por parte da PGR levanta preocupações em relação às negociações. Teo Cury ressalta que a Procuradoria afirma não ter um prazo estipulado e tomará sua decisão quando considerar adequado.
Enquanto a PF se manifiestou abertamente sobre sua insatisfação, a PGR adota uma postura mais reservada. “As resistências ainda são perceptíveis, e isso se justifica pelo fato de que a PGR não emitiu uma palavra final sobre o assunto”, concluiu o analista.




