Júri de PMs acusados por morte de Gritzbach inicia em SP

Júri de PMs acusados por morte de Gritzbach inicia em SP

O julgamento dos policiais militares acusados de envolvimento na morte de Vinicius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), será realizado entre 22 e 26 de junho no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Gritzbach foi assassinado com dez tiros em novembro de 2024, quando chegava ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo o Ministério Público de São Paulo, os acusados Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues teriam disparado contra ele, enquanto Fernando Genauro da Silva estaria responsável pela condução do veículo utilizado no crime.

O juiz concluiu as investigações e pronunciou os três acusados, o que encaminha o caso ao Tribunal do Júri. A decisão sugere que há indícios suficientes de autoria e materialidade, permitindo que o caso seja analisado pelos jurados.

A motivação do crime, segundo a Polícia Civil, estáligada à vingança e disputas financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro e criptomoedas.

Poucos meses antes de ser assassinado, Gritzbach havia firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público, fornecendo informações valiosas sobre membros da facção, esquemas de lavagem e movimentações financeiras.

Morte do Delator do PCC

Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, foi brutalmente assassinado a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro de 2024, logo após seu acordo de delação, onde contou sobre esquemas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras e propriedades dos integrantes da facção.

Além disso, ele teria denunciado policiais civis e militares suspeitos de extorquir criminosos. A polícia suspeita que a motivação para o crime relaciona-se a vingança e disputas financeiras por meio de lavagem de dinheiro e criptomoedas.

As investigações levaram a Polícia Civil a Enílio Carlos Gongorra, conhecido como “Cigarreira”, de 44 anos, que teria ordenado o crime com a ajuda de Diego Amaral, o “Didi”, e um olheiro chamado “Kauê”. Cigarreira, supostamente ligado ao Comando Vermelho, teria contratado os policiais através do olheiro. Dois deles atuaram como atiradores e um terceiro dirigiu o veículo de fuga. A polícia confirmou a presença dos executores no local do crime por meio de cruzamentos de dados e imagens.

Os policiais militares Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues foram identificados como os atiradores, enquanto Fernando Genauro da Silva é o motorista do carro utilizado para assassiná-lo. No total, 18 PMs foram denunciados, com 14 deles ainda detidos no Presídio Militar Romão Gomes.

Defesa dos Policiais Contestam a Investigação

Pouco antes do julgamento, a defesa dos policiais militares Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues apresentou um parecer técnico contestando a perícia e a confiabilidade das provas genéticas coletadas durante o processo. De acordo com este documento, obtido pela CNN Brasil, ocorreram falhas procedimentais no laudo pericial relacionado ao veículo VW Gol, utilizado no dia do crime, conforme indicado no relatório final da Câmara Técnica de Vestígios Biológicos. O carro, encontrado abandonado próximo ao aeroporto, foi mantido e periciado no local.

A defesa argumenta que “o Parecer Técnico comprova, scientificamente, os erros graves ocorridos durante a investigação, que resultaram na acusação indevida de inocentes”.

Por outro lado, o Ministério Público de São Paulo disse à CNN Brasil que a “defesa apresentou um parecer técnico encomendado para questionar, um ano e sete meses após o crime, os resultados imparciais do laudo pericial realizado por um órgão oficial, autônomo e independente”. Leia na íntegra:

“A defesa juntou parecer técnico encomendado para questionar, um ano e sete meses após o crime, o resultado imparcial do laudo pericial confeccionado por um órgão oficial, autônomo e independente. Aliás, nenhum dos três réus, presos há mais de um ano, aceitou oferecer material genético para a realização do referido exame, e mesmo assim o resultado é incontroverso: O DNA de Ruan e Denis foi encontrado no veículo e objetos abandonados.”

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo